CARACTERÍSTICAS BIOMÉTRICAS E TOLERÂNCIA AOS ESTRESSES NA GERMINAÇÃO EM SEMENTES DE Sesbania virgata (Cav.) Pers. SUBMETIDAS A CICLOS DE HIDRATAÇÃO-DESIDRATAÇÃO
Sesbania virgata; memória hídrica; estresses em sementes
Nos ambientes semiáridos, a limitação da quantidade de água no solo e o curto período em que ela permanece disponível provocam uma absorção hídrica descontínua pelas sementes, resultando em ciclos de hidratação e desidratação (HD) durante as etapas da germinação. A Família Fabaceae apresenta uma ampla distribuição na Caatinga, entre elas temos o gênero Sesbania, caracterizado por possuir espécies tolerantes a solos pobres com alto índice de metais pesados, e elevado nível de adaptabilidade quando submetidas a estresses bióticos e abióticos. Uma dessas espécies, bastante recomendada e utilizada para a restauração de áreas degradadas é a Sesbania virgata (Cav.) Pers. O presente trabalho teve como objetivo caracterizar biomorfologicamente sementes e plântulas de Sesbania virgata e estudar o efeito da submissão das sementes a ciclos de hidratação-desidratação (HD) na tolerância a estresses abióticos durante o processo de germinação subsequente. O trabalho foi realizado no Laboratório de Propagação de Plantas do Campus de Engenharias e Ciências Agrárias (CECA) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Para a caracterização biométrica das sementes, foi determinado o comprimento, largura e espessura (mm), teor de umidade das sementes, peso de mil sementes e acompanhado o desenvolvimento pós-seminal. Foram determinadas as curvas de hidratação e de secagem das sementes para a realização dos ciclos de hidratação e desidratação (HD), os quais foram repetidos 0 (controle), 1, 2 e 3 vezes. Após a submissão das sementes aos ciclos de HD, as mesmas foram postar para germinar em diferentes condições de estresses abióticos (hídrico, salino e térmico), analisando-se as variáveis Porcentagem de Germinação (G%), Tempo Médio de Germinação (TMG) e Índice de Velocidade de Germinação (IVG), comprimento e massa seca de plântulas. Para os resultados da caracterização biométrica foram observadas as médias de 6,8; 4,22 e 3,23 de comprimento, largura e espessura, respectivamente. O teor de umidade inicial das sementes foi de 9,39% e o peso de mil sementes 69,13g. O rápido desenvolvimento pós-seminal é evidenciado pela presença de estruturas bem desenvolvidas aos 21 dias. A curva trifásica de absorção de água das sementes é obtida com 22 horas de hidratação e a curva de secagem em 14 horas. No estresse hídrico, a submissão das sementes de S. virgata aos ciclos de HD tem efeitos positivos sobre a germinação, TMG e IVG, em condição hídrica favorável, especialmente nas sementes submetidas a 2 e 3 ciclos de HD, o que não foi observado quando houve a redução do potencial hídrico. Nas condições de potenciais hídricos de -0,6 e -0,9 Mpa, não teve a formação de plântulas normais. No estresse salino, as sementes de S. virgata apresentam a porcentagem de germinação acima de 80% nos potenciais de 0, -0,3, -0,6, -0,9 Mpa, independente do ciclo de HD. Na condição de -1,2 Mpa, não teve a formação de plântulas normais. O aumento do número de ciclos de HD nas sementes de S. virgata, sob condições favoráveis de disponibilidade de água (0 Mpa), reduziu o TMG e favoreceu o IVG nas sementes submetidas a 2 e 3 ciclos de HD. A germinação das sementes de S. virgata submetidas a ciclos de HD, é eficiente nas temperaturas de 25 e 30 °C, independentemente dos ciclos de HD. Além disso, a espécie apresenta taxas de germinação satisfatórias entre 20 e 35°C. Entretanto, as temperaturas extremas (10, 15, 40 e 45°C), reduzem e até anulam a germinação. O TMG foi mais baixo nas sementes submetidas a 2 e 3 ciclos de HD, em temperatura de 25°C. No IVG, a temperatura de 30°C se destacou, promovendo os valores mais elevados em todos os ciclos, enquanto que a temperatura de 20°C proporcionou os menores valores. De modo geral, conclui-se que a submissão das sementes de Sesbania virgata (Cav.) Pers. a ciclos de hidratação e desidratação, sob condições ótimas, favorece/beneficia a germinação, entretanto, em condições de estresse hídrico, salino ou térmico, os ciclos não proporcionam vantagens para as taxas de germinação das sementes.