SELETIVIDADE DE BICICLOPIRONA EM CANA-DE-AÇÚCAR E CONTROLE EM CAPIM-GENGIBRE
Inibidores de HPPD; Saccharum spp; Planta daninha.
A crescente ocorrência de plantas daninhas resistentes a mecanismos de ação tradicionais tem impulsionado a busca por alternativas eficazes, destacando-se os inibidores da enzima HPPD, como a biciclopirona. Nesse contexto, esta tese objetivou avaliar a seletividade da biciclopirona, isolada e em associação com hexazinona e tebutiurom, em variedades de cana-de-açúcar, bem como investigar seu potencial no controle de Paspalum maritimum em condições de ambiente controlado e campo. No primeiro capítulo, avaliou-se a seletividade em três variedades (RB 08791, RB 07818 e RB 92579) sob cinco tratamentos herbicidas. Os efeitos fitotóxicos foram transitórios (60 e 90 DAP), com recuperação fisiológica a partir dos 120 DAP. A biciclopirona isolada demonstrou elevada seletividade, enquanto a mistura com tebutiurom favoreceu o acúmulo de massa seca na variedade RB 07818. A seletividade mostrou-se dependente do genótipo, sendo a RB 92579 a mais estável e produtiva. No segundo capítulo, dose-resposta e experimentos de campo avaliaram o controle do capim-gengibre. Em casa de vegetação, a biciclopirona isolada proporcionou controle total a partir da dose de 185 g i.a. ha-1. Em condições de campo, o posicionamento em pré-emergência foi superior à pós-emergência tardia aos 15 e 30 DAA. Destacou-se a mistura biciclopirona + hexazinona, que apresentou efeito sinérgico e menores índices de cobertura verde até os 30 DAA. Contudo, a elevada pressão de reinfestação proveniente de rizomas e banco de sementes limitou o efeito residual a 30 dias, ocorrendo o restabelecimento da cobertura aos 45 DAA. A biciclopirona é seletiva às variedades de cana testadas e constitui ferramenta eficaz no manejo de P. maritimum, especialmente quando aplicada em pré-emergência e associada à hexazinona, embora seu efeito residual limite-se a 30 dias em condições de alta pressão de infestação.