SENSIBILIDADE A FUNGICIDAS E ADAPTABILIDADE COMPARATIVA DE ISOLADOS DE Lasiodiplodia theobromae ASSOCIADOS À QUEIMA-DAS-FOLHAS DO COQUEIRO
Cocos nucifera L.; Queima-das-folhas do coqueiro; Testes de sensibilidade; Resistência à fungicidas; Mecanismos de resistência
A queima-das-folhas causada por Lasiodiplodia theobromae é uma das mais prejudiciais doenças a cultura do coqueiro, uma vez que provoca redução na área fotossintética, ocasionando queda dos frutos antes do ponto de colheita, diminuindo assim a produção final e gerando grandes perdas econômicas. A queima-das-folhas é de difícil controle, além disso, não existem estudos que comprovem a eficiência de fungicidas sobre fungo L. theobromae, principal agente causal da doença. A elevada adaptabilidade fisiológica de L. theobromae, é um fator crítico para sua patogenicidade. Diante do exposto, os objetivos deste trabalho foram avaliar a sensibilidade in vitro de isolados de L. theobromae a diferentes fungicidas e avaliar a sensibilidade fisiológica e comparativa de isolados de L.theobromae associados a queima das folhas do coqueiro. Para alcançar os objetivos, 25 isolados de Lasiodiplodia theobromae foram submetidos à testes de sensibilidade à quatro fungicidas com diferentes princípios ativos: azoxistrobina, difenoconazole, piraclostrobina, tiofanato metílico. Para testar a caracterização fisiológica, os mesmos isolados foram submetidos à cinco diferentes concentrações de NaCl e de KCl, separadamente. Após testes com fungicidas, seis isolados representativos foram escolhidos, sendo dois altamente sensíveis, dois moderadamente sensiveis e dois insensíveis, para os testes de temperatura, diferentes meios de cultura, patogenicidade e agressividade, utilizando mudas de coqueiro e quatro variedades de palmeiras. Os fungicidas piraclostrobina + tiofanato metílico e difenoconazole apresentaram os melhores desempenhos no controle in vitro, com ED50 nas concentrações de 0.5 µg/ ml-1 , 5 µg/ml-1 e 10 µg/ml-1 sendo as mais efetivas. Quanto ao teste de adaptabilidade fisiológica, observou-se diferenças significativas entre os dois sais nas concentrações testadas, sendo concentração mínima inibitória menor que 2%, e a concentração mais efetiva a de 8% nos dois sais. Quanto ao teste de temperatura, percebeu-se que as temperaturas ótimas de crescimento se deram entre 25°C e 30°C. E nas temperaturas entre 15°C e 20°C, os isolados apresentaram os menores crescimentos. Quando os isolados foram submetidos aos diferentes meios de cultura, no meio ágar-aveia os fungos cresceram mais. Já nos testes de patogenicidade e agressividade, observou-se que os isolados que se mostraram insensíveis nos experimentos anteriores, foram os mais agressivos em todas as variedades de palmeiras e no coqueiro. Assim, observa-se que se torna necessário a elaboração de medidas de controle integradas, analisando as diferentes condições de adaptabilidade de comportamento diferente do microrganismo, bem como a associação à outras técnicas, para o manejo do fungo L. theobromae causador da queima-das-folhas do coqueiro no Estado de Alagoas.