Influência de um Sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) sobre a incidência de insetos e a composição da macro e mesofauna no estado de Alagoas
biodiversidade edáfica; controle biológico conservativo; sistemas integrados de produção.
A compreensão integrada da fitossanidade e da biota do solo é essencial para avaliar a funcionalidade de agroecossistemas submetidos a diferentes usos e manejos. Em Alagoas, ainda são escassos estudos que articulem, em uma mesma abordagem, a resposta de insetos de interesse fitossanitário e da fauna edáfica a sistemas integrados e a usos do solo contrastantes. Neste estudo, investigou-se, com ênfase na integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), como esses arranjos influenciam a injúria, a infestação e a ocorrência de insetos no milho e a estrutura da macro e da mesofauna edáficas, bem como foram relatados novos registros de parasitismo associados a Mocis latipes (Guenée, 1852). No milho, comparando-se sistema não integrado e integração lavoura-floresta com eucalipto, a injúria por percevejos-barriga-verde foi maior no sistema não integrado aos 20 dias após a semeadura, sem diferença entre os sistemas aos 40 dias; a abundância de lagartas em plantas e a taxa de lagartas em espigas também foram superiores no sistema não integrado, enquanto a resposta dos pulgões variou conforme o momento amostral e o compartimento avaliado. Para a fauna edáfica, foram comparadas cinco áreas sob usos distintos do solo, incluindo integração pecuária-floresta, pastagem não integrada, milho em monocultivo, remanescente florestal e ILPF, com discriminação, neste último, das fases pré-milho, milho e pastagem pós-milho. De modo geral, a Mata Atlântica apresentou maiores níveis de riqueza e diversidade, enquanto as respostas do ILPF dependeram do componente avaliado, da fase do sistema, do período climático e da profundidade do solo. No componente milho, o sistema integrado elevou a abundância da macrofauna, porém com simplificação da comunidade, ao passo que, para a mesofauna, os contrastes entre pastagem e milho nem sempre foram acompanhados por diferenciação consistente nos índices agregados. De forma complementar, foram registradas as espécies parasitoides Chetogena scutellaris (Wulp, 1890), Atacta brasiliensis Schiner, 1868 e Peckia (Sarcodexia) lambens (Wiedemann, 1830) associadas a lagartas de M. latipes coletadas em pastagem, destacando-se o primeiro registro de C. scutellaris parasitando M. latipes em Alagoas, o primeiro registro de ocorrência de P. (S.) lambens no estado e o primeiro relato de P. (S.) lambens parasitando M. latipes no Brasil. Em conjunto, os resultados mostram que a resposta da biota associada aos agroecossistemas avaliados foi condicionada pelo grupo biológico, pelo uso do solo, pelo arranjo produtivo, pelo compartimento analisado e pela dinâmica temporal do sistema, fornecendo subsídios para o manejo fitossanitário e o monitoramento biológico em sistemas integrados.