PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DESENVOLVIDAS COM UMA CRIANÇA COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISMO EM UM CENTRO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL DE MACEIÓ
Educação infantil. Educação Especial. Inclusão Escolar. Transtornp do Espectro Autista. Práticas Pedagógicas.
A Educação Infantil é um direito constitucional assegurado às crianças e aos bebês, nos
últimos anos houve um aumento nas matrículas de crianças com Transtorno do Espectro
Autista (TEA), ocasionando um novo desafio para os professores. O currículo, nesta
etapa da educação básica, é constituído pelas interações e brincadeira e as práticas
pedagógicas são desenvolvidas na articulação entre os saberes e experiências da criança
e os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, ambiental,
científico e tecnológico, por meio da indissociabilidade entre o cuidar e o educar. O
aumento significativo de crianças com TEA na Educação Infantil têm provocado
questionamentos relacionados a quais práticas pedagógicas devem ser desenvolvidas
com uma criança com TEA em uma instituição de educação infantil? Partindo da
hipótese de que essas práticas devem considerar, nos elementos da rotina e do
planejamento, o protagonismo e a participação dessa criança, respeitando seus
interesses, especificidades e ritmos de aprendizagem, este estudo tem como finalidade
discutir que práticas pedagógicas desenvolvidas na Educação Infantil para garantir às
crianças com TEA o direito à educação. Trata-se de uma pesquisa qualitativa de cunho
bibliográfico, baseada nos estudos de Barbosa (2006; 2010), Fochi (2023), Fortunati
(2019; 2021), Ribeiro (2023) e Rinaldi (2016; 2024), dentre outros sobre a identidade,
as práticas e o currículo da Educação Infantil e, estabelece um diálogo interdisciplinar
com as pesquisas de Drago (2014a; 2014b), Martins et. al. (2010), Mendes (2010;
2015; 2018), Sella e Ribeiro (2018), Schmidt (2013; 2016), dentre outros sobre a
inclusão escolar na Educação Infantil e a criança com TEA. E, do tipo Estudo de Caso
realizado em um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI), pertencente à rede
municipal de ensino de Maceió-AL. Os procedimentos metodológicos utilizados foram:
entrevistas semiestruturadas com a equipe gestora (coordenadora e diretora escolar),
profissional de apoio escolar (PAE) e professoras referência e da Educação Especial;
observação não participante e análises de planos pedagógicos. Nas entrevistas realizadas
foi verificado que os desafios envolvem à formação continuada, indicando que esta
precisa ser ofertada com mais frequência e com temáticas relacionadas à inclusão na
Educação Infantil; quanto ao planejamento, este deve ocorrer de forma colaborativa
para favorecer a articulação e o alinhamento entre os profissionais envolvidos nos
processos de inclusão. Os resultados, também, apontam que o processo de inclusão da
criança com TEA na instituição de Educação Infantil ocorre numa perspectiva global,
ou seja, a inclusão dar-se-á durante todas as atividades sem distinção de metodologias,
materiais ou recursos. No contexto educacional, a criança com TEA realiza as
atividades de forma igual às demais, sem que haja uma adequação em relação aos seus
interesses, especificidades e necessidades ou flexibilização curricular. O planejamento
da professora referência para a criança com TEA não apresenta variação em relação às
demais, nem dialoga com o planejamento desenvolvido pela professora de Educação
Especial no Atendimento Educacional Especializado (AEE), desprovido da escuta
sensível da criança, como forma de potencializar o seu protagonismo. As práticas
pedagógicas observadas no cotidiano indicam que a participação da criança só acontece
quando está relacionada ao seu interesse. Essa participação, por sua vez, está
intrinsecamente relacionada à mediação do adulto, neste caso, do PAE. Nesse contexto,
as práticas desenvolvidas para a criança com TEA, de acordo com os resultados
apontados pelo presente estudo, revelam-se pouco intencionais e não direcionadas
especificamente às suas necessidades. Contudo, ainda produzem benefícios, ainda que
parciais, em razão de seu caráter lúdico e subjetivo, conforme se estrutura o currículo da
Educação Infantil a partir dos eixos das interações e brincadeiras, sem desconsiderar a
complexidade do trabalho pedagógico. Assim, reafirma-se a importância de assegurar o
acesso ao currículo e a essas práticas não apenas como um direito, mas com qualidade e
adequação, de modo intencional, a fim de favorecer o desenvolvimento pleno da
criança. Destaca-se, ainda, que a formação continuada, bem como o diálogo e o trabalho
colaborativo entre os profissionais envolvidos nesse processo, podem contribuir
significativamente para o aperfeiçoamento dessas práticas.