Integração de Altimetria do Satélite SWOT e Modelagem Hidráulica para Estimativa de Níveis d’Água e Mapeamento de Inundação na Bacia do Rio Acre
Inundações Fluviais; Altimetria por satélite; SWOT; Modelagem hidrodinâmica; HEC-RAS; Rio Acre
As inundações fluviais figuram entre os principais riscos socioambientais na Amazônia Ocidental, intensificadas pela variabilidade hidrológica, pela recorrência de eventos extremos e pela ocupação urbana em áreas suscetíveis a cheias. No estado do Acre, especialmente em Rio Branco, as inundações associadas ao rio Acre geram impactos recorrentes sobre populações ribeirinhas e infraestrutura urbana, enquanto a baixa densidade de estações fluviométricas limita a representação espacial da dinâmica dos níveis d’água. Nesse contexto, a altimetria por sensoriamento remoto constitui alternativa para ampliar a cobertura observacional em regiões com monitoramento restrito. Esta pesquisa tem como objetivo avaliar o potencial dos dados altimétricos do satélite Surface Water and Ocean Topography (SWOT) para a estimativa de níveis d’água e sua integração à modelagem hidrodinâmica, visando à geração de manchas de inundação no rio Acre. A metodologia integra dados do SWOT, séries fluviométricas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e simulações unidimensionais em regime não permanente no HEC-RAS. Inicialmente, as cotas orbitais são calibradas por comparação com estações fluviométricas, com compatibilização do referencial vertical e avaliação por métricas estatísticas (Bias, RMSE e coeficiente de eficiência de Nash–Sutcliffe – NSE). Em seguida, a batimetria não observada é inferida por modelagem inversa hidrodinâmica baseada na equação de Manning, implementada em abordagem Bayesiana com amostragem MCMC, para estimar parâmetros geométricos e hidráulicos consistentes com as observações orbitais. A geometria reconstruída é incorporada ao HEC-RAS para simular a propagação das cheias e delimitar áreas potencialmente inundáveis a partir do Modelo Digital de Elevação FABDEM. A validação inclui a comparação entre níveis simulados e observados e a avaliação espacial das manchas de inundação por erro percentual de área, em relação a produtos oficiais do Serviço Geológico do Brasil (SGB). Espera-se demonstrar a viabilidade do SWOT como fonte complementar para o mapeamento de inundações em contextos de escassez de dados, contribuindo para o aprimoramento do monitoramento hidrológico, da avaliação do risco de cheias e do planejamento territorial em bacias amazônicas.