Aplicação da própolis vermelha de Alagoas e da borra como agente antimicrobiano
própolis vermelha de Alagoas; atividade antimicrobiana; borra de própolis; compostos bioativos; controle microbiológico.
A própolis vermelha de Alagoas (PVA) é classificada como o 13º tipo de própolis e apresenta características distintas em relação aos demais tipos, principalmente por possuir em sua composição compostos bioativos, como os isoflavonoides. Durante a produção da própolis vermelha é gerada uma quantidade significativa de resíduo, denominado borra de própolis, o qual apresenta menores concentrações de compostos bioativos; ainda assim, trata-se de um coproduto rico nesses compostos, evidenciando a necessidade de mais estudos para ampliar suas aplicações. Entre as diversas propriedades da própolis vermelha, destacam-se suas atividades antimicrobianas, com ação frente a fungos e bactérias. Diante disso, o objetivo deste trabalho foi avaliar o uso da própolis vermelha de Alagoas e de seu resíduo (borra) no controle microbiológico. Para isso, foram realizadas a caracterização da PVA e da borra, incluindo a determinação de compostos fenólicos e flavonoides, além de análises por FTIR, DPPH e HPLC, com o intuito de identificar e quantificar a composição de ambas as amostras. Em seguida, foram conduzidos testes antimicrobianos pelo método de difusão em discos, utilizando os fungos Aspergillus niger, Penicillium oxalicum, Colletotrichum gloeosporioides e Cunninghamella echinulata, bem como as bactérias Salmonella enterica e Escherichia coli, classificadas como Gram-negativas, e Staphylococcus aureus, Gram-positiva. A partir dos ensaios realizados, com acompanhamento de até 72 horas, verificou-se que a própolis vermelha apresentou bons resultados frente aos fungos, com formação de halos de inibição, destacando-se o ensaio com Colletotrichum gloeosporioides, no qual a atividade antimicrobiana foi mantida por 72 horas. Em relação às bactérias, a própolis vermelha também apresentou resultados satisfatórios, com formação de halo de inibição bem definido. Por outro lado, a borra de própolis não apresentou resultados satisfatórios, indicando que, na concentração avaliada (2 g de biomassa em 50 mL de etanol a 70%), não foi efetiva. Dessa forma, conclui-se que a própolis vermelha de Alagoas é um bom agente antimicrobiano, enquanto a borra de própolis necessita de estudos adicionais para avaliação de outras possíveis aplicações.