VIVÊNCIAS DE MULHERES SOBRE A PARTURIÇÃO ASSISTIDA POR ENFERMEIRAS OBSTETRAS: UMA ANÁLISE DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS
Representações sociais; Enfermeira Obstetra; Parto Normal; Cuidado de Enfermagem.
INTRODUÇÃO: A mortalidade materna e os desfechos negativos no parto permanecem desafios de saúde pública no Brasil, mesmo com avanços legais e políticas de humanização obstétrica. Modelos biomédicos intervencionistas, déficit de informação no pré-natal e vulnerabilidade social contribuem para experiências de medo, dor e insegurança. Nesse contexto, a atuação da enfermeira obstetra é fundamental para qualificar o cuidado e ressignificar a vivência do parto. Baseada na Teoria das Representações Sociais e na abordagem processual de Jodelet, a pesquisa investigou como mulheres que tiveram parto assistido por enfermeiras obstetras significam essa experiência, considerando dimensões subjetivas, simbólicas e relacionais. OBJETIVOS: O objetivo geral foi compreender as representações sociais de mulheres sobre o parto assistido por enfermeiras obstetras em uma maternidade de alto risco. Objetivos específicos incluíram: descrever o perfil sociodemográfico e obstétrico das participantes, identificar elementos representacionais nas narrativas sobre a experiência do parto e analisar como medo, dor, acolhimento e apoio são significados no processo de parir. METODOLOGIA: Estudo qualitativo fundamentado na Teoria das Representações Sociais, utilizando abordagem processual. Foram entrevistadas 21 puérperas, cujas narrativas foram analisadas com o software IRAMUTEQ por Classificação Hierárquica Descendente, resultando em 3.453 ocorrências e 488 lemas, organizados em cinco classes. RESULTADOS: As participantes eram predominantemente jovens (20–29 anos), pardas, multíparas, em união estável e com gestações não planejadas, muitas sem orientação adequada sobre via de parto. A enfermeira obstetra foi representada como figura de acolhimento, cuidado e apoio emocional, com empatia, orientação, escuta ativa e respeito às preferências, promovendo segurança e confiança. Inicialmente, as mulheres relataram medo, dor e insegurança, transformadas durante o parto pela mediação afetiva e técnica da profissional, ressignificando a experiência como positiva. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O cuidado da enfermeira obstetra vai além do técnico, assumindo dimensão simbólica e relacional essencial para experiências positivas no parto, fortalecendo o protagonismo feminino, reduzindo medo e promovendo satisfação materna. Os achados reforçam a importância de políticas que valorizem a enfermagem obstétrica e fortaleçam o pré-natal como espaço de informação, autonomia e garantia de direitos.