TRANSIÇÕES VIVENCIADAS POR MÃES DE CRIANÇAS COM DIABETES MELLITUS TIPO 1 EM SEGUIMENTO AMBULATORIAL
Teoria de Enfermagem, Enfermagem Pediátrica, Diabetes Mellitus tipo 1, Relações Mãe-Filho, Ambulatório.
O Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1) é um dos distúrbios endócrino-metabólicos mais predominantes na infância, como prioridade no cuidado, controle e acompanhamento sistemático e gerando mudanças vivenciadas pela criança e sua família. Buscou-se analisar as transições vivenciadas pelas mães de crianças diagnosticadas com DM1 em seguimento ambulatorial. Estudo analítico, exploratório com abordagem qualitativa, realizado no ambulatório de endocrinologia do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes/Ebserh, em Maceió-AL, com mães de crianças diagnosticadas com DM1. A coleta de dados ocorreu entre março e julho de 2025, com 17 mães, por meio de um formulário sociodemográfico e clínico e uma entrevista semiestruturada guiada pela Teoria das Transições de Afaf Meleis. Os dados qualitativos foram organizados com auxílio do software IRAMUTEQ® e analisados pela técnica de análise temática de Minayo, ancorada no referencial de Meleis. A pesquisa foi aprovada pelo parecer No 7.410.345. As mães participantes apresentaram marcante vulnerabilidade social, e o tempo de diagnóstico dos filhos variou de 7 a 96 meses, e a idade de 3 a 11 anos. A análise resultou em duas categorias temáticas centrais: 1) Vivência da transição no cuidado à criança com doença crônica: do impacto inicial à adaptação no cotidiano e suas subcategorias temáticas: “Descoberta do diagnóstico e transições”, “Experiências ambulatoriais e gestão clínica e Adaptação ao Cotidiano” e 2) Desafios e estratégias de enfrentamento na transição para o cuidado contínuo do DM1 e suas subcategorias temáticas: “Mudança para uma nova condição crônica e suas implicações”, e “Dificuldades diárias, estratégias de enfrentamento e rotina de cuidados e Impacto na vida da criança e da família”. Foram identificadas transições de natureza saúde-doença, situacional, organizacional e desenvolvimental. O processo transicional foi marcado pelo impacto inicial do diagnóstico, gerando sentimentos de medo, negação e impotência, exigindo reorganização familiar e aquisição de novos conhecimentos para o gerenciamento clínico. O enfrentamento e a adaptação foram influenciados por fatores facilitadores (suporte familiar, espiritualidade e vínculo com a equipe de saúde) e inibidores (vulnerabilidade socioeconômica, baixa escolaridade e dificuldades de acesso aos serviços do SUS). O acompanhamento ambulatorial revelou-se um pilar de apoio e aprendizado, sustentando a competência materna. O estudo confirmou que o enfrentamento materno exige intervenções de enfermagem sensíveis e contínuas. A Teoria das Transições de Meleis forneceu o suporte conceitual para a proposição de um processo de cuidados de enfermagem focado em potencializar a parentalidade. Tais intervenções educacionais devem visar: melhorar o controle glicêmico, reduzir episódios agudos, e fortalecer a saúde mental, a autogestão da doença e a autonomia familiar, facilitando uma transição saudável. A pesquisa reitera o papel essencial do enfermeiro como agente facilitador das transições, promovendo a maestria no cuidado e resultados saudáveis.