ATRIBUTOS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE E SUA ASSOCIAÇÃO COM A QUALIDADE DE VIDA DA PESSOA COM CÂNCER: ESTUDO TRANSVERSAL
Atenção Primária à Saúde; Rede de Assistência à Saúde; Câncer; Qualidade de Vida.
A Atenção Primária à Saúde (APS) deve atuar como ordenadora do cuidado na Rede de Atenção à Saúde. No contexto oncológico, a presença e extensão de seus atributos são fundamentais para garantir a integralidade e mitigar os impactos da doença na qualidade de vida (QV) dos pacientes, especialmente em cenários de vulnerabilidade socioeconômica. Neste trabalho a hipótese testada é que há uma associação positiva entre a extensão dos atributos da APS e os escores de QV autorrelatada. Tendo como objetivo investigar a associação entre a QV e os atributos da APS em pacientes oncológicos atendidos na atenção terciária em Alagoas. Conduziu-se um estudo transversal quantitativo realizado com 68 pacientes oncológicos. Foram utilizados o PCATool-Brasil (versão adultos) para avaliar a APS e o EORTC QLQ-C30 para mensurar a QV. O perfil socioeconômico foi classificado via critério ABEP. As associações foram analisadas por modelos de regressão linear ajustados por sexo, idade e presença de metástase, com nível de significância de p < 0,05. O projeto seguiu todos os preceitos éticos. A amostra foi predominantemente feminina (77,9%), de baixa escolaridade (53%) e classes sociais D/E (47,1%). A carga sintomática foi elevada (média de 8 sintomas), com destaque para fraqueza muscular (70,6%) e insônia (69,1%). Os escores da APS revelaram baixa orientação (Escore Geral: 4,84; Escore Essencial: 5,41), sendo a Integralidade (2,83) o atributo mais frágil. Contudo, a análise inferencial confirmou a hipótese de que há associação entre maior presença dos atributos da APS. A Integralidade apresentou associação positiva com a Funcionalidade Física (β=12,53), Social (β =31,36) e Qualidade de Vida Global (β =18,55). O Acesso de Primeiro Contato correlacionou-se negativamente com Dificuldades Financeiras (β =-53,49). Os resultados confirmam que a qualidade da APS influencia diretamente a qualidade de vida e a autonomia dos pacientes oncológicos. Embora a rede básica em Alagoas apresente escores insuficientes, o fortalecimento da Integralidade e do Acesso demonstra ser uma estratégia eficaz para a proteção social e funcional do paciente. A fragilidade do vínculo em casos de maior carga sintomática ressalta a necessidade urgente de superar a fragmentação do cuidado entre os níveis primário e terciário.