A VIVÊNCIA DA PESSOA QUE TEVE O SEU MEMBRO INFERIOR AMPUTADO: sob a ótica de Merleau-Ponty
Amputação. Fenomenologia. Enfermagem. Corpo próprio. Merleau-Ponty.
Introdução: A amputação de membros inferiores configura-se como um problema de saúde pública em ascensão, impactando drasticamente a subjetividade e o modo de vida do indivíduo. Objetivo: Esta pesquisa teve como objetivo compreender a experiência vivida da pessoa com amputação, desvelando os sentidos da reestruturação do corpo próprio e do esquema corporal no seu ser-no-mundo. Metodologia: Trata-se de um estudo qualitativo, fundamentado na Fenomenologia Existencial de Maurice Merleau-Ponty, realizado com 12 participantes que vivenciaram a amputação decorrente de complicações da neuropatia diabética em um hospital público de Maceió-AL. O rigor metodológico pautou-se na imersão exaustiva nos depoimentos e na aplicação da redução fenomenológica (epoché). Resultados: Os resultados revelaram cinco categorias ontológicas: a ruptura do corpo habitual e a emergência do corpo atual; a ambiguidade do membro fantasma como presença da ausência; a espacialidade restrita e o encolhimento do horizonte existencial; o ser-com-o-outro entre a coisificação e o amparo; e a transcendência pela fé como reancoragem no mundo. Conclusão: Conclui-se que a reestruturação do esquema corporal é um processo contínuo de negociação entre a memória da integridade e a facticidade da falta. A pesquisa contribui para a enfermagem ao propor um cuidado que transcenda o manejo técnico do coto, focando na reabilitação da intencionalidade e no fortalecimento dos vínculos intersubjetivos, essenciais para o sujeito reconstruir um habitar pleno de sentido.