CORPO PRÓPRIO, ESQUEMA CORPORAL E AMPUTAÇÃO DE MEMBRO INFERIOR: um estudo fenomenológico à luz de Merleau-Ponty
Amputação Cirúrgica. Enfermagem. Filosofia. Imagem corporal. Percepção.
Introdução: A amputação de membros inferiores configura-se como um problema de saúde pública em ascensão, impactando drasticamente o corpo próprio e a estrutura do esquema corporal, com repercussões profundas na subjetividade e no modo de vida do indivíduo. Objetivo: Compreender os sentidos da reestruturação do corpo próprio e do esquema corporal na experiência vivida da pessoa com amputação de membro inferior, à luz da Fenomenologia de Merleau-Ponty. Metodologia: Trata-se de um estudo qualitativo, fundamentado na Fenomenologia Existencial de Maurice Merleau-Ponty, realizado com 12 participantes que vivenciaram a amputação decorrente de complicações da neuropatia diabética em um hospital público de Maceió-AL. As entrevistas fenomenológicas aconteceram entre abril e maio de 2026, tendo sido submetidas à análise em cinco etapas. O rigor metodológico pautou-se na imersão exaustiva nos depoimentos e na aplicação da redução fenomenológica (epoché). O estudo foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa sob o número CAAE 95077526.9.0000.5013. Resultados: O grupo de participantes desta investigação é composto por 12 indivíduos, com uma distribuição equânime entre adultos de meia-idade e idosos. Foram reveladas cinco categorias ontológicas: a ruptura do corpo habitual e a emergência do corpo atual; a ambiguidade do membro fantasma como presença da ausência; a espacialidade restrita e o encolhimento do horizonte existencial; o ser-com-o-outro entre a coisificação e o amparo; e a transcendência pela fé como reancoragem no mundo. Conclusão: Conclui-se que a reestruturação do corpo próprio e do esquema corporal é um processo contínuo de negociação entre a memória da integridade e a facticidade da falta. A pesquisa contribui para a enfermagem ao propor um cuidado que transcenda o manejo técnico do coto, focando na reabilitação da intencionalidade motora e do esquema corporal, bem como no fortalecimento dos vínculos intersubjetivos, elementos essenciais para que o sujeito reconstrua um habitar pleno de sentido.