PREVALÊNCIA DE DEPRESSÃO E FATORES ASSOCIADOS ENTRE PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM NO BRASIL: ANÁLISE DA PESQUISA NACIONAL DE SAÚDE 2019
Depressão; Enfermagem; Saúde do Trabalhador; Prevalência.
INTRODUÇÃO: A depressão constitui importante problema de saúde pública e uma das principais causas de incapacidade, com repercussões sobre a qualidade de vida e o desempenho laboral. Entre profissionais de enfermagem, condições adversas de trabalho, jornadas prolongadas e exposição contínua ao sofrimento humano podem ampliar a vulnerabilidade ao adoecimento mental. OBJETIVO: Estimar a prevalência de diagnóstico médico autorreferido de depressão e analisar os fatores associados entre profissionais de enfermagem no Brasil, com base nos dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019. MÉTODO: Estudo transversal, quantitativo, baseado em dados secundários de abrangência nacional. Foram incluídos profissionais de enfermagem com idade igual ou superior a 18 anos. A variável dependente correspondeu ao diagnóstico médico autorreferido de depressão, e as variáveis independentes contemplaram características sociodemográficas, socioeconômicas, ocupacionais e relacionadas às condições de saúde. As análises foram realizadas no software R, considerando-se o plano amostral complexo da pesquisa. Foram estimadas prevalências e razões de prevalência, utilizando-se o teste qui-quadrado com correção de Rao-Scott e regressão de Poisson com variância robusta. RESULTADOS: A prevalência de diagnóstico médico autorreferido de depressão foi de 10,8% (IC95%: 10,4–11,2). Na análise descritiva, observaram-se associações com estado civil, frequência de jornadas de 24 horas, autoavaliação do estado de saúde e dificuldade para dormir. No modelo ajustado, permaneceram associadas ao desfecho a ausência de companheiro(a), a residência na região Sul e a dificuldade para dormir quase todos os dias, sendo esta última a associação de maior magnitude. A realização de duas a três jornadas de 24 horas por semana apresentou tendência de associação. CONCLUSÃO: O diagnóstico médico autorreferido de depressão apresentou prevalência relevante entre profissionais de enfermagem brasileiros e esteve associado a fatores sociodemográficos e relacionados às condições de saúde. Os achados evidenciam a necessidade de estratégias de vigilância, promoção da saúde mental e melhoria das condições de trabalho da categoria.