ENTRE NARRATIVAS E INDICADORES: AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA E DA SAÚDE MENTAL DE TRABALHADORES DOS CENTROS DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL
Promoção da saúde; Prevenção de agravos; Saúde ocupacional.
Objetivo: Compreender as experiências laborais de trabalhadores dos Centros de Atenção Psicossocial e examinar as relações entre dimensões dessas experiências e indicadores de qualidade de vida e saúde mental. Método: Estudo misto exploratório, com notação QUAL → quan. Na etapa qualitativa foi aplicado um questionário semiestruturado. Adotou-se como referencial metodológico e teórico de Maria Cecília Minayo. O processamento do corpus textual foi realizado no software IRaMuTeQ. Na etapa quantitativa foram aplicadas escalas psicométricas sobre saúde mental (Goldberg-12), qualidade de vida (WHOQOL-Bref), bem-estar afetivo no trabalho (Job-related Affective Well-being Scale - JAWS) e autoestima (Escala de Rosenberg), todas validadas para o contexto brasileiro. Os dados da coleta foram organizados em Microsoft Excel e processados no Statistical Package for Social Science for Windows (SPSS) na versão 31. Para análise foram utilizados testes estatísticos de acordo com o tipo de escala. Os dados foram integrados em um joint display, elaborado com apoio do software MAXQDA, que possibilitou a análise de sentimentos das falas selecionadas e sua integração para a construção de uma meta-inferência. Resultados: O estudo foi conduzido em cinco CAPS do município de Maceió-AL, com coleta de dados no período de fevereiro a outubro de 2025. Participaram da etapa qualitativa 15 trabalhadores em que foram criadas três categorias temáticas: 1) Desafios institucionais e subjetivos do cotidiano do profissional do CAPS; 2) Percepções dos profissionais sobre os desafios do cuidado em saúde mental; e 3) Compreensão do profissional sobre a relação entre mente e bem-estar. A etapa quantitativa foi composta por 40 trabalhadores que apresentaram resultados satisfatórios a medianos quanto à saúde mental (61%); autoestima (23 pontos) e bem-estar no ambiente de trabalho (satisfatório). A integração dos dados evidenciou que, embora haja demandas subjetivas narradas acerca do sofrimento emocional, desafios no ambiente de trabalho e vulnerabilidades associada ao cuidado os indicadores demonstram que a saúde mental e qualidade de vida são satisfatórios, apesar da necessidade de melhora ou estratégias coletivas de enfrentamento aos desafios sejam pessoais ou do trabalho. Conclusão: Os resultados indicam que, embora os trabalhadores dos CAPS relatem desafios institucionais, emocionais e organizacionais no cotidiano laboral, os indicadores de saúde mental e qualidade de vida mostram-se satisfatórios. A coexistência das demandas em saúde mental e os recursos individuais e coletivos de enfrentamento evidencia a necessidade de fortalecimento institucional com estratégias de apoio e promoção da saúde dos trabalhadores.