PRÁTICAS TEIMOSAS COMO PROCESSO DE PRODUÇÃO DE PERTENCIMENTO E MEMÓRIA URBANA: O CASO DO LITORAL NORTE DE MACEIÓ/A
Práticas teimosas; Cotidiano; Maceió; Litoral norte de Maceió.
Esta pesquisa se propõe a analisar os impactos do processo de turistificação no litoral norte de
Maceió na percepção de lugar dos moradores locais. Segundo Araújo (2016), o turismo,
impulsionado por grandes empreendimentos hoteleiros, se transforma em negócio imobiliário,
resultando em produtos financeiros que atraem investimentos. Nesse contexto, a
financeirização do espaço urbano estimula a conversão de territórios em ativos de
investimento, em consonância com a lógica capitalista de acumulação. Como consequência, a
turistificação contribui para a fragmentação do espaço urbano, uma vez que reflete processos
sociais excludentes (Corrêa, 2005). Esse fenômeno altera não apenas a paisagem e as
dinâmicas locais, mas também a forma como os moradores percebem e interagem com seu
próprio território. Diante dessas transformações, os moradores reagem por meio de "práticas
teimosas" (Certeau, 1990) – pequenas táticas cotidianas que se contrapõem às estratégias
dominantes. Enquanto os grandes empreendimentos imobiliários operam com estratégias de
longo prazo, visando o lucro, os moradores utilizam táticas para subverter ou se adaptar às
mudanças impostas. Nesse contexto, o estudo objetiva compreender como a turistificação e a
especulação imobiliária alteram a percepção dos moradores sobre o território que habitam,
considerando a fragmentação do espaço urbano e a reconfiguração das dinâmicas sociais,
culturais e econômicas locais. Como recorte, a pesquisa focou no olhar dos moradores que
trabalham com comércio, uma vez que estes apresentam um duplo olhar para os impactos do
turismo. Para isso, a pesquisa é realizada por meio de revisão bibliográfica, visitas à campo
com produção de diário de bordo, vídeos e fotos, além da realização de entrevistas com
questionário semiestruturado para identificar as principais questões relacionadas ao impacto
da turistificação na percepção de lugar, e aprofundar a compreensão da resposta dos
moradores comerciantes ao processo de turistificação e as táticas que o contrapõem.