Pensar-fazendo: Uma imersão prática no desenvolvimento de coisas da coisa Ilha do Ferro
Ilha do Ferro; pensar-fazendo; artesanato; malha.
Localizada no recorte sertanejo alagoano, a Ilha do Ferro é um povoado da cidade
de Pão de Açúcar conhecido atualmente como um significativo integrante do circuito
de artesanato nacional. Dos entalhes em madeira ao característico bordado
Boa-Noite, sua produção de manualidades possibilitou, ainda, um intenso fluxo
turístico a partir da segunda metade da década de 2010. A vasta divulgação da
localidade e seus desdobramentos a partir da integração de novos agentes, na
propulsão de metamorfoses espaciais, sociais, culturais e econômicas, foram
marcados de maneira intensa pela persistência do saber-fazer local, aglutinando em
suas manifestações a dualidade entre afirmação identitária e adequação aos
parâmetros mercadológicos e capitalizantes do “popular”. Nesse ínterim, ao passo
que os artefatos produzidos pela comunidade fazem-se refletores e componentes
tangíveis de uma malha complexa de relações, temporalidades e contradições de
cunho interno e externo, o território é apresentado como produção coletiva de
múltiplos agentes e modos de olhar. Para discutir tais questões, a presente
dissertação intenta a aproximação com o espaço e seus fazedores como
metodologia, testando ferramentas que evidenciem a feitura dos artefatos artesanais
como modo de expressão de um saber-fazer-territorializar. Assim, com base em
considerações de Tim Ingold (2013, 2016), é pretendido o exercício da observação
participante por meio da aprendizagem prática no envolvimento com a produção de
artefatos em oficinas sob a orientação de artesãos locais, ao refletir sobre novas
possibilidades de relacionar o pensar e o fazer. Expecta-se, portanto, a geração e
análise de dados que promovam a investigação de um potencial vetorial do artefato
como transformador e reprodutor socioterritorial, além de possível fator de reforço
nas relações comunitárias a partir de seu processo de produção.