PPGAU PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA E URBANISMO FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO Teléfono/Ramal: 82-99331-3518

Banca de QUALIFICAÇÃO: ACÁCIA BEZERRA DE CARVALHO

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ACÁCIA BEZERRA DE CARVALHO
DATA : 07/05/2026
HORA: 14:00
LOCAL: videoconferência
TÍTULO:

Passos que não cabem nas calçadas:

Uma análise da liberdade urbana, acessibilidade e experiência sensível do
envelhe(SER) nos centros urbanos, um estudo de caso em Arapiraca-AL


PALAVRAS-CHAVES:

ilhas de acessibilidade; idosos; liberdade urbana; calçadas; planejamento urbano.


PÁGINAS: 123
RESUMO:

Esta tese nasce de uma inquietação profunda sobre a forma como caminhamos e,
sobretudo, sobre quem pode caminhar na cidade contemporânea. A caminhada é aqui
entendida não apenas como deslocamento físico, mas como um gesto simbólico de habitar
o mundo, de sentir e de exercer o direito à cidade. Ao caminhar, o corpo lê a cidade e, ao
mesmo tempo, é por ela escrito. Nesse percurso, revelam-se as desigualdades, os silêncios
e as violências sutis inscritas no espaço urbano, especialmente quando o corpo que
caminha é um corpo envelhecente. Autores como Jane Jacobs e Jan Gehl apontam que
uma cidade verdadeiramente viva e saudável só pode existir quando pensada a partir das
pessoas e de suas experiências cotidianas. No entanto, as condições para a vida urbana e
para os pedestres têm se tornado a cada dia menos dignas, sobretudo no que diz respeito
às calçadas, que deveriam ser espaços de encontro, circulação, pertencimento e segurança.
As calçadas configuram-se como elementos essenciais da infraestrutura urbana, pois
mediam a relação entre o espaço privado e o espaço público. É nelas que a vida urbana
se manifesta de forma mais cotidiana, conversas entre vizinhos, pausas, observações do
movimento da rua, encontros intergeracionais. A precarização desse elemento de
infraestrutura urbana afeta todos os pedestres, mas atinge de forma mais severa os idosos,
cujos corpos carregam ritmos próprios e limitações físicas. A pesquisa insere-se em um
contexto envelhecimento populacional e aumento da população urbana. Nesse cenário
surge o “paradoxo urbano contemporâneo’’ da liberdade urbana, ele manifesta-se na
coexistência entre o que aqui chamamos de ilhas de acessibilidade e a malha urbana
composta por calçadas intransitáveis. Tais ilhas surgem como pequenas e pontuais
demonstrações de avanço às demandas de uma sociedade diversa que envelhece, mas, ao
mesmo tempo, evidenciam a fragmentação do espaço urbano. O direito de ir e vir passa
a ser concedido de forma localizada, descontínua e condicionada. A cidade de Arapiraca,
em Alagoas, onde habita esta investigação é marcada por um rápido crescimento urbano
e por recentes investimentos em mobilidade e requalificação de espaços públicos, de
modo que áreas centrais e/ou de maior visibilidade tornam-se vitrines da acessibilidade e
mobilidade urbanas, enquanto grande parte da cidade ainda permanece marcada por
calçadas inacessíveis, obstruídas ou negligenciadas. Basta atravessar uma rua para que a
cidade “destaque em mobilidade urbana” dê lugar à cidade real, onde caminhar exige
atenção constante, desvios improvisados e insegurança. Busca-se então compreender

como as calçadas, enquanto elementos fundamentais das dinâmicas urbanas, relacionam-
se com a violação do direito à liberdade urbana e com a efetividade do direito à cidade

para a população idosa. Dessa forma, articulam-se temas como políticas públicas urbanas
e sociais, identificação e caracterização das ilhas de acessibilidade com uma abordagem 

atenta do espaço urbano por meio do método da caminhografia. O corpo do idoso
participante e da própria pesquisadora tornam-se instrumento de investigação, capaz de
validar pelos gestos, pausas, ritmos e estratégias corporais, o conceito de Ilhas de
acessibilidade. A estrutura da tese assume uma cartografia própria, em que cada capítulo
apresenta seus caminhos metodológicos de forma orgânica, respeitando a complexidade
do envelhe(SER). Ao longo do percurso, a cidade é lida pela pele, pelo peso e pelo tempo
do corpo, evidenciando que caminhar com dignidade é um direito que ainda não se realiza
plenamente. A pesquisa não se encerra com respostas definitivas, mas abre espaços de
escuta, reflexão e continuidade, afirmando que repensar as calçadas é, acima de tudo, uma
escolha, a escolha de garantir dignidade e segurança humana. Afinal, o direito à cidade
começa nos passos de quem a percorre, especialmente daqueles que caminham mais
devagar e carregam consigo uma vida inteira de experiências.


MEMBROS DA BANCA:
Externo(a) à Instituição - EDUARDO ROCHA - UFPel
Interno(a) - 2121364 - MORGANA MARIA PITTA DUARTE CAVALCANTE
Presidente - 1569322 - SUZANN FLAVIA CORDEIRO DE LIMA
Interno(a) - 1544769 - THAISA FRANCIS CESAR SAMPAIO SARMENTO
Externo(a) à Instituição - VANESSA GOULART DORNÉLES - UFSM
Notícia cadastrada em: 07/05/2026 09:13
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