Banca de DEFESA: EDCARLA MELISSA DE OLIVEIRA BARBOZA
Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : EDCARLA MELISSA DE OLIVEIRA BARBOZA
DATA : 27/02/2026
HORA: 09:00
LOCAL: on line
TÍTULO:
UM SERTÃO FEMININO: LITERATURA E PSICANÁLISE EM RONALDO CORREIA DE BRITO
PALAVRAS-CHAVES:
Palavras-chave: Literatura. Psicanálise. Sertão. Feminino. Ronaldo Correia de Brito.
PÁGINAS: 211
RESUMO:
Esta tese investiga o modo como a trilogia de Ronaldo Correia de Brito — composta pelo conto Faca e pelos romances Galileia e Rio Sangue — reinscreve o sertão nordestino, deslocando-o das imagens cristalizadas que historicamente o fixaram como espaço de miséria, aridez e masculinidade hegemônica. Marcada pela oralidade e pela memória, a escrita de Brito convoca uma dimensão imagética e poética que o próprio autor nomeia como sertão ancestral, operando um deslocamento ético e estético da representação do território. O sertão não se apresenta como espaço geograficamente delimitado, mas como construção discursiva, na qual os rastros da cultura oral funcionam como dispositivos de elaboração de uma “memória inventada”, situada entre a lembrança e o esquecimento, composta por narrativas daquilo que “nunca aconteceu, mas nunca deixou de existir”. Denominada pelo próprio autor como “trilogia ao contrário”, a obra organiza-se pela insistência de fragmentos e da repetição de vozes oriundas da cultura oral, configurando um movimento de retorno que não visa à recuperação do passado, mas à sua reinvenção. Sem negar a violência que atravessa o sertão, a trilogia recusa explicações totalizantes ou apaziguadoras, privilegiando aquilo que escapa à atribuição plena de sentido. Restos, lacunas e fragmentos tornam-se matéria de invenção literária, aproximando-se daquilo que, no campo da psicanálise, pode ser nomeado como feminino. A partir do diálogo entre literatura e psicanálise — especialmente Freud, Lacan e Mikhail Bakhtin —, a tese propõe uma leitura centrada na forma literária, na enunciação e nos efeitos de linguagem, destacando o tratamento do sem sentido, da polifonia e do inacabamento como operadores centrais da escrita de Brito e como elementos que aproximam sua narrativa de uma escrita feminina, que inventa um sertão igualmente feminino.
MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2088016 - CLEYTON SIDNEY DE ANDRADE
Interno(a) - 3060318 - KALL LYWS BARROSO SALES
Interno(a) - 3508522 - SUSANA SOUTO SILVA
Interno(a) - 1293059 - ANA CLARA MAGALHAES DE MEDEIROS
Externo(a) à Instituição - CAROLINA BARBOSA LIMA E SANTOS - UFMS
Externo(a) à Instituição - ANA LUCIA LUTTERBACH RODRIGUES HOLK
Externo(a) à Instituição - ANTÔNIO MÁRCIO RIBEIRO TEIXEIRA - UFMG