Afrofuturismo e Ecodistopia:
a narrativa ecocrítica de Lu Ain-Zaila na duologia Brasil 2408
Afrofuturismo; Ecodistopia; Ecocrítica;
O presente projeto de dissertação propõe uma análise da duologia Brasil 2408, da escritora Lu Ain-Zaila, sob as lentes da ecocrítica e do afrofuturismo, considerando suas interfaces com os subgêneros da ecodistopia e da ficção especulativa. A obra, pioneira no Brasil por ser a primeira ficção afrofuturista ecodistópica escrita por uma mulher negra, constrói uma narrativa situada em um século XXV devastado por colapsos climáticos, onde tecnologias como o Aparelho de Comunicação Integrada (ACI) e políticas de controle estatal modelam a vida dos cidadãos. O estudo busca compreender como se articulam as representações da distopia, da ecocrítica e do afrofuturismo, enfatizando também o papel da ancestralidade, da crítica ao Capitaloceno e da resistência das populações negras diante do apagamento histórico e ambiental. Por meio de uma abordagem bibliográfica, a análise da duologia composta por (In)Verdades e (R)Evolução visa investigar como o Afrofuturismo pode atuar como ferramenta de denúncia e imaginação política para os discursos distópicos contemporâneos. A pesquisa fundamenta-se em teóricos como Buell, Garrard, Glotfelty, Malvestio, Gouveia, Grosfoguel e Sousa e Assis, promovendo uma interseção entre estética, política e crítica ambiental e racial.