Desafios e (im)possibilidades na Leitura e Escrita Acadêmica de Adultos Universitários com TDAH
Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade; Leitura e escrita acadêmica; Letramento acadêmico; Inclusão no ensino superior; Neurodiversidade.
O presente estudo investiga os desafios e as (im)possibilidades que atravessam as práticas de leitura e escrita acadêmica de estudantes universitários com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Inserida no campo da Linguística Aplicada, a pesquisa parte da compreensão de que o letramento acadêmico não se reduz a habilidades individuais, mas constitui um conjunto de práticas discursivas social e historicamente situadas, atravessadas por relações de poder, políticas institucionais e condições cognitivas diversas. O trabalho dialoga com autores que discutem a democratização do ensino superior, a inclusão educacional, o letramento acadêmico e os transtornos do neurodesenvolvimento, problematizando a medicalização das dificuldades escolares e a invisibilização das experiências de estudantes neurodivergentes na universidade. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório, descritivo e interpretativo, cujos dados foram produzidos por meio de questionários semiestruturados aplicados a quatro estudantes com diagnóstico formal de TDAH, vinculados a cursos de graduação e pós-graduação da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). A análise do corpus foi realizada à luz da Análise de Conteúdo, conforme Bardin (1977). Os resultados evidenciam que as dificuldades de leitura e escrita acadêmica estão relacionadas a fatores cognitivos, emocionais e institucionais, destacando-se problemas de concentração, organização textual, gestão do tempo e compreensão de gêneros acadêmicos. Ao mesmo tempo, os participantes desenvolvem estratégias próprias de autorregulação e enfrentamento, revelando a escrita como um espaço possível de autoria, resistência e reinvenção. Conclui-se que a efetivação de práticas inclusivas no ensino superior exige a articulação entre políticas institucionais, formação docente e abordagens pedagógicas sensíveis à diversidade cognitiva, de modo a garantir condições mais equitativas de permanência e participação acadêmica.