INTERSECÇÃO ENTRE A FORMAÇÃO DOCENTE PARA O LETRAMENTO CRÍTICO E MIDIÁTICO E AS PRÁTICAS DE LETRAMENTO CRÍTICO E MIDIÁTICO EM SALA DE AULA
pós-verdade; formação de professores; fake news; letramento informacional e midiático; ética.
Esta pesquisa insere-se na temática dos letramentos, aqui entendidos como práticas sociais críticas e situadas de leitura e escrita (Street, 2014), e oportuniza a reflexão sobre as relações de poder manifestadas pela linguagem no contexto da pós-verdade. Nesse entendimento, este estudo é justificado pela necessidade de que, em aulas de Língua Portuguesa, sejam inseridas aulas específicas para tratar da recepção/disseminação de informações. Assim, propomo-nos a analisar discursos e práticas de professores de Língua Portuguesa nos anos finais do Ensino Fundamental como agentes do letramento informacional e midiático, numa perspectiva responsiva e ética de pós-verdade. Para tanto, estabelecemos como objetivos específicos: a) investigar os discursos que constroem sentido para os professores de Língua Portuguesa dos anos finais do Ensino Fundamental numa perspectiva de letramento informacional e midiático; b) identificar as relações entre formação docente para o letramento informacional e midiático e práticas de ensino informacionais e midiáticas; c) observar os documentos oficiais e materiais didáticos de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental utilizados acerca do trabalho com a leitura e a escrita em uma escola da rede estadual de Alagoas com vistas à detecção de problemas, discussões ou reflexões sobre o letramento informacional e midiático; e d) propor uma cartilha de formação docente em combate às notícias falsas. Diante do contexto exposto, este estudo tem como mote as seguintes questões de pesquisa: 1. Qual é o perfil de professores de Língua Portuguesa dos anos finais do Ensino Fundamental, compreendidos como agentes de letramento informacional e midiático?; 2. Qual(is) a(s) relação(ões) podemos estabelecer entre a formação adquirida pelos docentes para o letramento informacional e midiático e suas implicações nas práticas de ensino informacionais e midiáticas na escola?. Além destas, de modo subjacente/complementar, outras duas questões fazem parte dos meus interesses nesta pesquisa: 3. O que é discutido em documentos oficiais e nos materiais didáticos da rede de ensino do estado de Alagoas acerca das práticas de letramento informacional?; 4. Como esses documentos e materiais didáticos podem promover reflexões acerca de fake news?. A proposta ora delineada foi desenvolvida com quatro professoras de Língua Portuguesa dos anos finais do Ensino Fundamental de uma escola da rede estadual de Alagoas, localizada na cidade de Piranhas. Considerando que é na escola que ajudamos a formar a consciência ética e o pensamento crítico dos cidadãos, ela se torna um ambiente propício para a implementação de práticas de letramento informacional em combate às notícias falsas. Outro aspecto que merece atenção é a inclusão desse debate no cenário da pós-verdade, uma agenda de interesse mundial. Trata-se, nesse sentido, de uma pesquisa qualitativa, de natureza interpretativa, de cunho etnográfico que faz uso do método sociológico da Análise Dialógica do Discurso, filiando-se teoricamente à Linguística Aplicada (LA). A geração de dados foi dividida em uma parte investigativa e outra propositiva, sendo estas compostas, respectivamente, por: questionários, entrevistas, observação de aulas das docentes, levantamento e seleção de documentos oficiais acerca do trabalho com a leitura e escrita, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Referencial Curricular de Alagoas (RecAL) e de livros didáticos de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental utilizados na escola supracitada; e a proposição de um curso de formação de professores para o letramento informacional e midiático. A análise dos dados é feita à luz da Análise Dialógica do Discurso, de inspiração bakhtiniana. Os resultados apontam para a presença de uma lacuna existente na formação de três das docentes participantes dessa pesquisa, pois, como pôde ser visto na seção de análise, algumas não tiveram essa temática contemplada em suas grades de formação ou tiveram de modo muito genérico. Decorrente disso, as respostas curtas e objetivas das docentes ao questionário se justificam, pois não há como exprimir um enunciado mais denso quando se tem pouca
(in)formação a respeito de um determinado tema. Neste cenário, vê-se que quase todas as professoras, como exceção de apenas uma, caminham mais na direção do letramento autônomo, o que justifica a proposição do minicurso, haja vista que ele possibilita o acesso à insumos teóricos e práticos para auxiliar em suas práticas pedagógicas e possibilita a reflexão acerca da “cultura da pós-verdade”, o que permite formar cidadãos éticos e responsivos à luz de práticas de letramento crítico.