Gênero, patriarcado e poder: o discurso e a mídia alternativa no cordel
Análise do Discurso; Literatura de Cordel; Mulher; Discurso sobre; Mídia alternativa.
Nesta dissertação, buscamos compreender sobre a posição-sujeito da mulher no discurso,
assumida pelos cordelistas, uma vez que o discurso literário pensado à luz da Análise do
Discurso aponta para a necessidade de compreensão de como os sentidos se constituem em
nossa sociedade e produzem efeitos aparentemente cristalizados. Por isso, não se trata aqui de
descrever o cordel em sua materialidade apenas, mas de compreender como essa
materialidade, a partir da perspectiva discursiva, participa da produção de sentidos, pois a
forma, o suporte e os modos de circulação do folheto se inscrevem nas condições de produção
do discurso historicamente determinadas e possibilitam a constituição de posições-sujeito e de
efeitos de sentido. O corpus desta pesquisa se constitui a partir de sequências discursivas
retiradas de folhetos de literatura cordelista publicados especificamente na década de 1970,
período marcado pela forte pressão da ditadura militar no Brasil, por disputas políticas e
sociais que também atravessam a produção e circulação dos discursos sobre a mulher. Desse
modo, ao compreendermos o discurso como espaço de retomadas, deslocamentos e de
memória discursiva, poderemos compreender como o gênero feminino é discursivizado no
cordel, investigando de que maneira essa forma de mídia alternativa participa na produção e
circulação dos sentidos hegemônicos sobre o feminino. Assim sendo, utilizando os
pressupostos teóricos-metodológicos da Análise do Discurso, fundamentamos a hipótese de
que os poetas interpelam discursivamente os sujeitos, contribuindo para perpetuarem com o
ideário patriarcal, convocando uma parcela leitora dos folhetos a assumirem determinadas
posições sobre o comportamento e o lugar da mulher na sociedade.