Ama. Hélia Correia. Tragicarnavalização. Teatro Português. Teatro clássico.
Este estudo, inserido na área da Literatura, propõe-se a dissecar a figura da ama na trilogia de Hélia Correia, composta por Perdição, Desmesura e Rancor, sob a ótica do trágico-carnavalizado. O objetivo principal é compreender como a autora reelabora esse “princípio trófico”, presente desde a epopeia e o teatro grego antigo, para conferir-lhe um preenchimento ético e estético na dramaturgia portuguesa contemporânea. A metodologia empregada pauta-se na análise textual e conceitual, utilizando um arcabouço teórico que abrange os conceitos de figura (Auerbach), a crítica literária "a contrapelo" (Benjamin), a tanatografia (Silva Jr), e, centralmente, a tragicarnavalização (Medeiros), inspirada na anatomia do grotesco (Bakhtin). Os resultados da pesquisa indicam que a ama nas obras de Correia transcende seu papel tradicional e aristotélico emergindo como uma figura que encarna a luta das classes oprimidas, portanto, reveladora de tensões socioculturais. Conclui-se, ainda, que as peças greco-lusitanas de Correia compõem uma trilogia trófica marcada pela fisiologia feminina em que o mito se faz carne em um contexto pós-revolucionário, onde o exercício da experimentação são performances textuais das liberdades de expressão e de gênero.