REPRESENTAÇÕES DISCURSIVAS INTERSECCIONAIS SOBRE O FEMININO EM TIRAS DE MAFALDA
Análise materialista do Discurso. Representações discursivas do Feminino. Tiras de Mafalda. Interseccionalidade.
Esta pesquisa trata do modo como as categorias de raça, gênero e classe social constituem as representações discursivas sobre o feminino e como a relação entre essas categorias significam a posição sujeito-mulher, na sociedade capitalista. Tem por objetivo analisar os efeitos de sentido de representações sobre o feminino, em tiras de Mafalda, numa perspectiva interseccional, estando ancorada na Análise materialista do Discurso, fundada por Michel Pêcheux na França, e desenvolvida no Brasil, a partir de Eni Orlandi. Considerando as noções de textualidade e discursividade (Orlandi, 2007), volta-se o interesse ao gênero textual/discursivo tira humorística (Ramos, 2017) e em diálogo com a teoria feminista, sobretudo o feminismo negro (hooks, 2019), investiga como as formações discursivas materializam as relações de raça, gênero e classe social (Davis, 2016), (Collins; Bilge, 2021), bem como as formações ideológicas materializadas em diferentes posições-sujeito, considerando as personagens femininas em tiras humorísticas de Mafalda. O método de abordagem é o dialético, tendo em conta a contradição inerente ao discurso. O corpus é constituído por um recorte de 7 tiras de Mafalda, sendo as três primeiras base para a abordagem das questões de raça e gênero nas 4 últimas. Propomos um recorte para a constituição do corpus de análise (Quino, 2006), que traz Mafalda e sua turma como projeções de identidades sociais, considerando as representações discursivas, por meio das formações imaginárias (Pêcheux, 2010), destacando também o papel ideológico que as mulheres vêm exercendo, ao longo dos tempos, e que é realçado nas/pelas mídias (Ramires, 2017). Dessa maneira, consideramos a relevância deste trabalho para o campo educacional, no que diz respeito à utilização dos princípios e procedimentos da Análise Materialista do discurso, por meio de gêneros textuais/discursivos. A centralidade da pesquisa está no modo como a interseccionalidade, discutida particularmente por (Collins e Bilge, 2021), pode conceber maneiras de entender e explicar as complexas desigualdades sociais, em especial as que se referem às mulheres negras (Cisne, 2018), na sociedade capitalista, como também podem apontar caminhos para a transformação da sociedade no enfrentamento dessas desigualdades.