ITINERÁRIO FORMATIVO EM PRÁTICAS DE HUMANIZAÇÃO DE FISIOTERAPEUTAS EM UM HOSPITAL GERAL
Humanização da assistência; fisioterapia; hospital; ensino superior, educação.
Este trabalho acadêmico, submetido à banca de defesa do Curso de Mestrado Profissional em Ensino na Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas, é composto por uma apresentação geral, um artigo científico e um produto educacional. O artigo é derivado da pesquisa intitulada Itinerário formativo em práticas de humanização de fisioterapeutas atuantes em um hospital geral, desenvolvida com o objetivo de analisar como se constitui a formação e a incorporação das práticas de humanização no cotidiano desses profissionais. Trata-se de um estudo de métodos mistos, de natureza descritivo-exploratória, com estratégia sequencial explicativa (QUAN → QUAL). A etapa quantitativa foi realizada com fisioterapeutas atuantes em um hospital geral, por meio de questionário estruturado em escala do tipo Likert, com análise estatística descritiva. Na etapa qualitativa, participaram profissionais selecionados a partir dos achados quantitativos, com realização de entrevistas individuais semiestruturadas. O corpus textual foi analisado com auxílio do software IRAMUTEQ, por meio da Classificação Hierárquica Descendente e da análise de similitude, com posterior interpretação orientada pelo referencial teórico da Política Nacional de Humanização. Os resultados evidenciam que a humanização é reconhecida pelos profissionais como um princípio essencial à qualidade do cuidado, estando associada à escuta qualificada, ao acolhimento e à construção de vínculos. No entanto, sua efetivação na prática cotidiana ainda se apresenta tensionada por fatores institucionais, como sobrecarga de trabalho, limitações estruturais e fragilidades na formação profissional. A análise qualitativa revelou que o itinerário formativo em humanização ocorre de forma predominantemente fragmentada, muitas vezes mais relacionada à experiência prática do que a processos sistematizados de ensino. Por outro lado, estratégias como a educação permanente, a reflexão crítica sobre a prática e o trabalho em equipe interprofissional emergem como elementos potencializadores da humanização no ambiente hospitalar. A integração dos achados quantitativos e qualitativos reforça que a humanização não se limita a uma dimensão técnica ou normativa, mas envolve aspectos subjetivos, institucionais e formativos, exigindo abordagens pedagógicas que valorizem a integralidade do cuidado e o desenvolvimento de competências relacionais. Nesse sentido, como produto educacional, foi elaborado um e-book voltado aos profissionais de saúde, com foco na promoção de práticas de humanização no contexto hospitalar, articulando fundamentos teóricos da Política Nacional de Humanização com estratégias aplicáveis à prática profissional. Conclui-se que o fortalecimento da humanização no cuidado em saúde requer não apenas sensibilização individual, mas também investimentos institucionais em formação, condições de trabalho e espaços de educação permanente, de modo a favorecer a construção de práticas mais acolhedoras, éticas e centradas nos sujeitos envolvidos no processo de cuidado.