ITINERÁRIO FORMATIVO EM PRÁTICAS DE HUMANIZAÇÃO DE FISIOTERAPEUTAS EM UM HOSPITAL GERAL
Humanização da assistência; Serviço a hospitalar fr Fisioterapia; Educação Superior; Educação Permanente.
Introdução: A formação em saúde tem sido desafiada a superar modelos centrados apenas na dimensão técnico-biológica do cuidado, exigindo processos formativos que integrem aspectos éticos, relacionais, políticos e institucionais. No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), a Política Nacional de Humanização (PNH) reforça a necessidade de práticas comprometidas com a integralidade, a valorização dos sujeitos e a qualificação das relações de cuidado. Na fisioterapia hospitalar, a humanização assume relevância particular diante da complexidade assistencial, da influência do modelo biomédico e da necessidade de articulação entre competência técnica e cuidado integral. Objetivo: Analisar os itinerários formativos de fisioterapeutas atuantes em um hospital geral, identificando os sentidos atribuídos à humanização em suas práticas assistenciais, representações sociais e experiências de educação permanente. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva e aplicada, estruturada em três estudos articulados. O primeiro analisou os itinerários formativos de fisioterapeutas hospitalares por meio de entrevistas semiestruturadas, com apoio do software IRAMUTEQ e da Classificação Hierárquica Descendente (CHD), associada à análise de conteúdo. O segundo investigou as representações sociais da humanização por meio da análise de similitude, fundamentada na Teoria das Representações Sociais. O terceiro consistiu no desenvolvimento e implementação de um e-book sobre humanização no cuidado hospitalar, utilizado como dispositivo de educação permanente em rodas de conversa com estagiários, residentes e profissionais da saúde. Resultados e discussão: Os achados evidenciaram que a humanização é compreendida pelos fisioterapeutas como uma construção que envolve dimensões éticas, técnicas, relacionais e institucionais, ultrapassando atitudes individuais de empatia e acolhimento. O primeiro estudo mostrou que os itinerários formativos e as experiências no trabalho influenciam diretamente a construção de práticas humanizadas, embora ainda existam fragilidades na formação inicial sobre o tema. O segundo revelou que a humanização se organiza, nas representações sociais dos participantes, em torno de elementos como paciente, escuta, respeito, vínculo e cuidado integral. O terceiro demonstrou o potencial do e-book como estratégia de educação permanente, favorecendo reflexão crítica, troca de experiências e ampliação da compreensão da humanização no contexto hospitalar. Considerações finais: A dissertação evidencia que a humanização na fisioterapia hospitalar é um fenômeno multidimensional, construído na interface entre formação, trabalho, representações sociais e educação permanente. Ao articular diferentes abordagens analíticas e um produto educacional, o estudo contribui para o fortalecimento da formação em saúde, da prática fisioterapêutica hospitalar e da implementação da Política Nacional de Humanização no SUS.