EFEITOS DE REFEIÇÕES ISENTAS OU RICAS EM ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS E COM ALTA OU BAIXA DENSIDADE ENERGÉTICA SOBRE HORMÔNIOS REGULADORES DO APETITE
Alimentos ultraprocessados; Hormônios; Apetite; Densidade energética; Consumo alimentar.
A ingestão alimentar é regulada por hormônios que modulam a fome e saciedade, sendo suscetível a fatores ambientais e dietéticos que podem favorecer o desenvolvimento de distúrbios metabólicos. Evidências indicam que refeições ricas em ultraprocessados (AUP) induzem a desregulação de hormônios relacionados ao apetite. O objetivo do presente estudo é avaliar o efeito de refeições ricas ou isentas de AUP (≥ 80 % e 0% do valor energético total advindo de AUP) e com alta ou baixa densidade energética (DE) (≥ 2,0 kcal/g e ≤ 1,2 kcal/g) sobre os hormônios reguladores do apetite. Trata-se de um ensaio clínico aleatório cruzado com alimentação controlada, com washout de, no mínimo, 3 dias. Foram 4 condições-teste, sendo eles: AUP+/DE+, AUP+/DE-, AUP-/DE+, AUP-/DE-. Cada braço durou 1 dia com a oferta de 2 refeições (café da manhã e almoço) pareados para energia, macronutrientes, fibras, gordura saturada e açúcar livre. Amostras de sangue foram coletadas em jejum, antes do início de cada refeição (0 min) e 240 minutos após a finalização para quantificação sérica de glicose, insulina e triglicerídeos. Enquanto as concentrações plasmáticas de grelina e leptina foram analisadas por ensaio imunoenzimático. A análise estatística foi através de modelos lineares mistos, considerando significância com alfa de 5%. Foram observados diferenças estatisticamente significativas nas concentrações de insulina (p = 0,014) e nos índices HOMA-IR (p = 0,017) e HOMA-β (p < 0,001) nas condições AUP, mas não para DE ou para sua interação (p > 0,05) . Entretanto, as concentrações de grelina e leptina, e os demais parâmetros, não apresentaram diferenças significativas entre as condições DE e nem na interação entre AUP e DE. Conclui-se que o consumo agudo de AUP promove alterações significativas nas concentrações de insulina e nos índices HOMA-IR e HOMA-β, evidenciando uma menor sensibilidade periférica à insulina. Esses achados demonstram que o grau de processamento dos alimentos atua como um determinante independente da homeostase glicoinsulinêmica.