Da Teologia da Libertação às Teologias Neopentecostais: Afinidades Eletivas e Racionalidade Neoliberal na América Latina
Neoliberalismo. Teologia da Prosperidade. Teologia do Domínio. Neopentecostalismo. luta de classes
A presente tese investiga a relação entre as teologias neopentecostais — Teologia da Prosperidade e Teologia do Domínio — e o neoliberalismo, entendido não apenas como modelo econômico, mas como racionalidade política e social hegemônica desde as últimas décadas do século XX. A hipótese central sustenta que existe entre essas teologias e a racionalidade neoliberal uma relação de afinidades eletivas, no sentido atribuído por Max Weber e desenvolvido por Michael Löwy, caracterizada pela convergência entre sistemas distintos e autônomos que, ao se aproximarem historicamente, se fortalecem mutuamente. O conceito de racionalidade neoliberal, se baseia na obra de Pierre Dardot e Christian Laval. Como contraponto analítico, a pesquisa examina a Teologia da Libertação, compreendida como uma elaboração teológica crítica ao capitalismo e orientada pela opção preferencial pelos pobres. Desenvolvida na América Latina na segunda metade do século XX, seu refluxo histórico antecedeu a expansão do pentecostalismo e do neopentecostalismo no continente. A análise da Teologia da Libertação fundamenta-se nas contribuições de Michael Löwy, Luigi Bordin, José Carlos Libâneo, Leonardo Boff e Clodovis Boff. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de caráter multidisciplinar, fundamentada no Materialismo Histórico como referencial teórico-metodológico. Os resultados indicam que a Teologia da Prosperidade apresenta afinidades eletivas com a racionalidade neoliberal ao contribuir para a formação de subjetividades compatíveis com valores neoliberais, enquanto a Teologia do Domínio favorece um projeto de ocupação das estruturas políticas e sociais por setores do evangelicalismo brasileiro. Conclui-se que a racionalidade neoliberal encontra nas teologias neopentecostais uma linguagem religiosa capaz de legitimar seus valores e formas de organização social, ao passo que essas teologias encontram no neoliberalismo um ambiente favorável à sua expansão. Desse modo, as teologias neopentecostais desempenham papel relevante na difusão de uma racionalidade política e moral compatível com o neoliberalismo contemporâneo, contribuindo para a naturalização de determinadas formas de organização social e para a constituição de subjetividades coerentes com essa racionalidade. O contraste entre a Teologia da Libertação e as teologias neopentecostais evidencia o enfraquecimento da crítica ao capitalismo para o fortalecimento de uma racionalidade compatível com o neoliberalismo.