PLATAFORMIZAÇÃO DA AGRICULTURA E AS NOVAS-VELHAS EXPRESSÕES DA QUESTÃO AGRÁRIA NO CAPITALISMO DEPENDENTE
Palavras-chave: Tecnologia. Plataformas digitais. Questão agrária. Capitalismo Dependente.
A presente tese tem como objetivo investigar como a plataformização da agricultura reconfigura a questão agrária no Brasil, reatualizando as formas de subordinação da agricultura ao capital estrangeiro. O ponto de partida consiste na compreensão das bases estruturais da questão agrária no modo de produção capitalista, articulando trabalho, terra e capital em sua configuração. Para tanto, recorreu-se à crítica da economia política de Karl Marx e Kautsky. Observou-se que o desenvolvimento capitalista na agricultura ocorre de maneira particular, especialmente nos países dependentes como o Brasil, exigindo um estudo fundamentado na contribuição teórica de intelectuais contemporâneos, como Rui Mauro Marini, Octavio Ianni, Florestan Fernandes, entre outros. Para compreender o fenômeno da plataformização da agricultura, realizou-se um levantamento bibliográfico-documental sobre a expansão das plataformas digitais, observando a atuação das big techs e os riscos iminentes que a vigilância digital promovida pelo uso de aplicativos, programas e serviços de web tem acarretado à sociedade, em que os dados da vida e dos territórios se tornaram ativos financeiros. Os relatórios divulgados pela Grain, bem como as pesquisas do sociólogo Sergio Amadeu da Silveira, foram fundamentais para esse estudo. Em seguida, identificou-se um padrão de uso, acesso, barreiras e percepções dos produtores rurais brasileiros em relação às plataformas digitais, a partir de dados estatísticos levantados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), bem como dados acerca da conectividade no campo divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por meio dessas informações, tornou-se possível evidenciar o cenário atual de inserção das plataformas digitais na agricultura brasileira. Defende-se a tese de que a plataformização da agricultura se constitui como uma nova ofensiva do capital estrangeiro no Brasil para promover novos-velhos mecanismos de expropriação de terras, exploração do trabalho, espoliação de riquezas cuja tendência é o agravamento das desigualdades sociais no campo. Os autores Deivison Faustino e Walter Lippold em suas contribuições teóricas acerca do “colonialismo digital” foram crucias neste momento; assim como relatórios, entrevistas e pesquisas de organizações nacionais e internacionais. A tese constrói uma reflexão crítica à luz da teoria marxista sobre os desafios contemporâneos para a luta de classes e a necessidade de superar o “fetichismo da tecnologia” e o “solucionismo tecnológico”, construindo uma organização coletiva da classe trabalhadora em defesa da soberania digital e alimentar.