Avaliação espaço-temporal do conforto térmico humano no Nordeste do Brasil.
UTCI, estresse térmico, mudanças climáticas.
O avanço da urbanização e as mudanças climáticas globais têm intensificado a
ocorrência de eventos extremos de calor, impactando diretamente a saúde e o bem-estar
humano. Diante deste cenário, o presente estudo objetiva analisar a evolução espaço-
temporal do conforto térmico no Nordeste do Brasil (NEB) entre os períodos de 1961-
1990 e 1991-2024. A pesquisa utiliza o Índice Climático Térmico Universal (UTCI),
fundamentado em modelos termofisiológicos de balanço energético, para quantificar o
estresse térmico a partir de variáveis como temperatura do ar, umidade, velocidade do
vento e radiação térmica. Os dados são provenientes da reanálise ERA5-HEAT. A
metodologia compreende a aplicação dos testes não paramétricos de Mann-Kendall,
Sen’s Slope e Pettitt para a detecção de tendências, magnitude de variação e pontos de
ruptura nas séries temporais. Os resultados preliminares indicam uma variabilidade
horária marcante, com picos de estresse térmico entre 14h e 18h UTC nas áreas de clima
semiárido. O estudo ressalta a influência da topografia e da cobertura vegetal na
modulação do microclima regional, evidenciando zonas de maior vulnerabilidade
térmica no interior em contraste com as áreas litorâneas e de altitude. Espera-se que o
diagnóstico contribua para o planejamento urbano resiliente e a formulação de políticas
públicas de adaptação climática no NEB.