EXTREMOS PLUVIOMÉTRICOS EM ALAGOAS: VARIABILIDADE IN-TRA-SAZONAL E INTERANUAL EM REGIÕES HIDROGRÁFICAS.
chuva extrema; seca; regiões hidrográficas; SPI.
A variabilidade da chuva e seus extremos representa um desafio para o gerenciamento e o planejamento hídrico e socioambiental em Alagoas. A gestão hídrica utiliza a delimitação de regiões hidrográficas (RH) para garantir a melhor utilização, distribuição e abastecimento dos recursos hídricos. O estudo tem como objetivo analisar os impactos da variabilidade intrasazonal e interanual dos extremos pluviométricos nas regiões hidrográficas de Alagoas. Utilizou-se dados mensais de 54 estações pluviométricas separadas em dez RH baseadas nas delimitações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o período de 1960 a 2016. A estatística aplicada a série temporal pluviométrica foi baseada nas estatísticas descritiva, exploratória (boxplot) e multivariada (método hierárquico de Ward e índice de Silhueta). O Índice de Anomalia de Chuva (IAC) e Índice de Precipitação Padronizado (SPI) obtido via software DrinC foram associados os episódios de ENOS (El Niño e La Niña) via índices ONI e RONI. Os mapas de chuva (sazonal) e seca anual (SPI-12 e IAC) foram confeccionados
a partir do software QGIS via método de interpolação IDW. A caracterização dos eventos extremos foi realizada por meio do algoritmo DBSCAN (Density-Based Spatial Clustering of Applications). Para facilitar a interpretação dos padrõesmultivariados e a visualização dos agrupamentos identificados empregou-se a
Análise de Componentes Principais (ACP). Os resultados obtidos evidenciaram a existência de dois grupos pluviométricos homogêneos de RH com características distintas. A análise espacial dos índices SPI-12 e IAC confirmou a influência da variabilidade climática interanual, independente de ONI e RONI. O algoritmo DBSCAN mostrou-se eficiente na identificação de anos secos, chuvosos e de transição nas bacias hidrográficas. A integração de informações climáticas, socioeconômicas e de demanda hídrica revelou que a vulnerabilidade das regiões hidrográficas resulta da interação entre fatores naturais e antrópicos, e assim reforça a importância de abordagens integradas para o monitoramento, planejamento e gestão dos recursos hídricos em Alagoas.