INFLUÊNCIA DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS NA DINÂMICA DOS FOGOS ATIVOS NO CERRADO BRASILEIRO.
Focos de Calor; Cerrado; Regressão Geograficamente Ponderada (RGP).
O bioma Cerrado é um dos dois principais hotspots de conservação da biodiversidade no Brasil, conhecido por sua alta diversidade, serviços ecossistêmicos e pelo impacto das queimadas, comuns na região devido ao desmatamento e à expansão agrícola e de pastagens. Para esta avaliação, utilizou-se uma série histórica anual de fogos ativos (FA), de 2003 a 2025, coletada a partir do banco de dados do sensor MODIS do satélite Aqua. Analisaram-se as características anuais dos FA usando o modelo de Regressão Geograficamente Ponderada (RGP), considerando fatores ambientais (elevação, declividade, produtividade primária bruta, índice de vegetação NDVI), climatológicos (chuva, déficit de pressão de vapor, dias sem chuva, temperatura da superfície, umidade), propriedades do solo (argila, pH, silte) e uso do solo (grama, áreas cultiváveis). Como método, aplicou-se o índice de Moran — indicador de autocorrelação espacial (LISA) — para identificar regiões propensas à ocorrência de FA. Os resultados do LISA mostraram maior variabilidade na parte norte do Cerrado, com maior incidência de FA, enquanto a zona sul apresentou menor variabilidade. Essa variação está relacionada às intervenções humanas, como a expansão agrícola. Quanto ao RGP, o modelo explicou cerca de 70% da variância na composição média anual de FA,
sendo a maior influência atribuída às características ambientais, principalmente ao NDVI (64,61%), seguido de elevação (13,05%) e declividade (12,62%). Assim, conclui-se que os padrões de estresse vegetativo indicados pelo NDVI podem auxiliar na previsão da ocorrência de FA.