ANÁLISE DA INFLUÊNCIA DA VARIABILIDADE CLIMÁTICA DOS OCEANOS ATLÂNTICO E PACÍFICO SOBRE A EPIDEMIA DE ZIKA NA REGIÃO NORDESTE DO BRASIL.
Variabilidade climática; Ondaleta cruzada; DataSUS; Análise de Agrupamentos
A epidemia de Zika vírus que atingiu o Nordeste do Brasil entre 2015 e 2016 ocorreu em um
cenário de intensa variabilidade climática, marcado por um dos eventos de El Niño mais
expressivos das últimas décadas e por anomalias positivas de temperatura da superfície do
mar no Atlântico Tropical Norte. Como variáveis meteorológicas são fatores importantes neste
cenário, esse contexto motivou a investigação da influência da variabilidade dos Oceanos
Atlântico e Pacífico sobre a dinâmica espaço-temporal da doença nas capitais nordestinas. O
presente estudo analisa o período de 2015 a 2024, integrando dados epidemiológicos de casos
confirmados de Zika (DataSUS), variáveis meteorológicas locais do conjunto BR-DWGD e
índices climáticos de grande escala do Oceano Atlântico Norte e Sul (TNA e TSA) e do Oceano
Pacífico (SOI), obtidos junto ao NOAA/CPC. A metodologia emprega o mapeamento da
distribuição espacial da incidência, análise de coerência e fase entre as séries temporais
estudadas, utilizando análise de ondaleta cruzada (cross-wavelet) e Análise de agrupamentos
(cluster analysis), com o qual pode-se identificar as capitais com comportamentos semelhantes
frente aos sinais climáticos. Os resultados já evidenciam um pico epidêmico pronunciado em
2016 em todas as capitais, seguido de queda acentuada e reemergências pontuais em anos
posteriores.