Aspectos do Regime de Vento na Costa e no Interior de Alagoas: Contrastes Físicos, Variabilidade Climática e Influência do Uso e Ocupação do Solo.
Palavras-chave: vento; brisa marítima; variabilidade climática; uso e ocupação do solo; Alagoas.
O regime de vento no Estado de Alagoas apresenta elevada variabilidade espacial e temporal em
função da interação entre fatores fisiográficos, sistemas atmosféricos de diferentes escalas e mudanças no uso
e ocupação do solo. Neste estudo, analisou-se o comportamento da velocidade e direção do vento em duas
regiões contrastantes do estado: Maceió, representando o setor costeiro, e Arapiraca, localizada no interior do
Estado. Foram utilizados dados horários de velocidade e direção do vento provenientes das estações
automáticas do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), abrangendo os períodos de 2003–2024 para
Maceió e 2008–2024 para Arapiraca. A metodologia inclui estatística descritiva e exploratória, análise
sazonal, rosas dos ventos, histogramas de frequência, ciclo médio diário e análise espectral por Wavelet. Os
resultados evidenciaram diferenças significativas entre o litoral e o interior alagoano. Em Maceió, observou-se
predominância dos ventos de leste (E) e leste-sudeste (ESE), associados principalmente à atuação das brisas
marítima-terrestre, circulação lagunar e ventos alísios. Em Arapiraca, embora as direções predominantes
também tenham sido E e ESE, verificou-se maior influência da fisiografia regional, dos alísios e das
circulações vale-montanha. A análise das classes de velocidade mostrou maior frequência de calmaria no
interior do estado, indicando menor ventilação atmosférica e maior potencial para acúmulo de poluentes. A
análise espectral identificou periodicidades horárias, diárias, sazonais e interanuais associadas às circulações
locais e à variabilidade climática regional, incluindo possíveis influências do El Niño–Oscilação Sul (ENOS).
Os resultados demonstram que os contrastes entre costa e interior são condicionados não apenas pela distância
em relação ao oceano atlântico, mas também pelas modificações antrópicas da superfície, urbanização e
mudanças no uso da terra.