Investigação de nanopartículas de prata e própolis vermelha como terapia adjuvante de psoríase
Nanopartículas metálicas; Própolis; Cosmecêutico; Psoríase.
A psoríase consiste em doença crônica e inflamatória que acomete principalmente a pele. A sua fisiopatologia é relacionada a ativação de cálulas do sistema imune e liberação de citocinas pró-inflamatórias, como TNF-α, IL-17 e IL-23. O tratamento da psoríase possui efeitos adversos relacionados ao uso de medicamentos sistêmicos, fator limitante da utilização. Somado a isso, o uso de cosméticos ou cosmecêuticos como adjuvantes da terapia vem tomando destaque. Nesse contexto, nanopartículas de prata têm se destacado por compor material adjuvante e preventivo com ação antiinflamatória, antimicrobiana e capacidade de fotproteção. Associado a isso, sua síntese por via biogência possibilita o uso de produtos naturais, como a própolis vermelha de alagoas (PVA), ao possuir efeitos antipsoriáticos, fotoprotetor, antibacteriano, antifúngico e antioxidante. Assim, o objetivo deste trabalho foi investigar as nanopartículas de prata e própolis vermelha como terapia adjuvante de psoríase. Para isso, foi realizada a padronização da própolis utilizadas através de quantificação de flavonoides, fenóis totais e ensaio de DPPH. As nanopartículas de prata foram sintetizadas utilizando a PVA como agente redutor e estabilizante (NPAg-PVA). A caracterização da suspensão coloidal foi feita por espectrofotometria na região do UV-Vis, espalhamento dinâmico de luz (DLS), potencial zeta. A suspensão seguiu para obtenção do pó através de centrifugação a 15000 rpm, seguida de lavagem com água deionizada, retirada de sobrenadante e secagem do precipitado em estufa a 50°C. A caracterização do pó foi feita por difratometria de raios X (DRX), espectroscopia no infravermelho por transformada de Fourier (FTIR) e análise térmica (TG e DSC). Foi realizada a quantificação da prata nas NPAgPVA por espectroscopia de absorção atômica e quantificação e identificação dos compostos da própolis nas nanopartículas formadas por cromatografia UFLC. Ensaios para verificação de atividade mitocondrial por MTT e de citotoxicidade por LDH foram realizados. Como resultado, a própolis possui componentes fenólicos, incluindo flavonoides, dentro do padronizado garantindo a qualidade do material. Por DPPH foi visto bom potencial de redução e antioxidante. Para a NPAgPVA em suspensão, foi observado por UV-vis formação de nanopartículas com banda SPR no espectro de absorção, tamanho de 143 nm, PDI de 0,3 e potencial zeta de -56,4 eV. Para a NPAgPVA em pó, por DRX, obteve-se os planos da prata nanocristalina, assim como calculou-se o tamanho médio de 13,37 nm das nanopratas. Por FTIV, exibiu-se as bandas referentes as ligações contidas na parte orgânica das nanopartículas, assim como os desvios referentes as interações da parte orgânica e inorgânica. Através da análise térmica, o perfil de comportamento do material sob temperatura melhorou quando comparado com a própolis isoladamente. Por UFLC, foram observados os marcadores da própolis na NPAgPVA e indicadas a participação desses componentes como redutores e estabilizantes. Através do MTT, viu-se que as NPAgPVA não causaram alteração no metabolismo mitocondrial em nenhuma concentração e em nenhum tempo avaliado. Por LDH, os resultados demonstraram que o dano celular foi reduzido para a NPAgPVA. Dessa maneira, é legitima a continuidade da investigação desse material visto seu potencial promissor na terapia adjuvante da psoríase.