Efeito da suplementação com N-acetilcisteína nos desfechos maternos e fetais em gestação com pré-eclâmpsia.
Gestante. Pré-Eclâmpsia. Antioxidante.
Objetivo: Avaliar o impacto da suplementação de N-acetilcisteina (NAC) nos desfechos materno e fetais de gestações com PE. Métodos: Trata-se de um estudo do tipo ensaio clínico duplo-cego, randomizado, controlado com placebo realizado no pré-natal de um hospital universitário de Maceió-Alagoas, entre o período de 2021 a 2023. O estudo incluiu mulheres diagnosticadas com pré-eclâmpsia, entre as 24ª e 32ª semanas de gestação. As gestantes foram alocadas aleatoriamente em dois grupos: intervenção (suplementadas com 600mg de NAC) ou controle (suplementadas com placebo). Foi aplicado um formulário padronizado contendo dados socioeconômicos, clínicos, culturais, pessoais e antropométricos e as mulheres foram acompanhadas até a consulta pré natal que antecedeu o parto. Ao longo do acompanhamento foram rastreados sintomas clássicos bem como coletados dados do parto. Como desfecho primário foi avaliado o impacto da NAC sobre a via de parto. Ainda, para os desfechos secundários foram avaliados marcadores de estresse oxidativo e inflamação e os desfechos maternos-fetais, tais como: idade gestacional no parto, peso ao nascer, peso para idade gestacional, altura para idade gestacional, perímetro cefálico, relação PT/PC, apgar no primeiro e quinto minuto de vida, pressão sistólica e diastólica da gestante, sintomas de PE (escotoma, epigastria, cefaleia), bem como evolução para eclâmpsia ou outras complicações maternas no momento do parto. As análises dos dados foram realizadas com o auxílio do programa estatístico SPSS (Statistical Package for Social Science) versão 20.0. Para análise dos desfechos maternos e fetais, adotou-se test t de Student. Em todos os testes, adotou-se um nível de significância de 5%. Um modelo de análise longitudinal com Equações de Estimativas Generalizadas (GEE) foi utilizado para estimar o efeito da suplementação com NAC nos sintomas típicos da PE. Resultados: Foram incluídas 51 gestantes com PE (26 do grupo placebo e 25 do grupo NAC). O tempo médio de uso das cápsulas no grupo placebo foi de 74,76 dias (± 26,71 DP) e, no grupo NAC, foi de 86,68 dias (± 30,41 DP), sem diferença estatística entre os grupos (p = 0,45), correspondendo ao período desde a inclusão no ensaio até o momento do parto. Em relação ao desfecho primário, a suplementação com NAC não demonstrou impacto significativo na via de parto. No entanto, em uma análise exploratória dos desfechos secundários, observou-se que a suplementação com NAC associou-se a uma Idade Gestacional (IG) ao nascer significativamente maior (grupo placebo: 37,39 semanas ± 1,96 DP vs. grupo NAC: 38,45 semanas ± 1,51 DP; MD 1,06 semanas; IC 95%: 0,03 a 2,09; p = 0,044). Conclusão: A suplementação oral de NAC em gestantes com PE demonstrou um potencial benefício clínico ao associar-se ao prolongamento da idade gestacional ao nascimento.