Banca de DEFESA: RAMON SALGUEIRO CRUZ

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : RAMON SALGUEIRO CRUZ
DATA : 26/05/2026
HORA: 09:00
LOCAL: Atividade remota (ICBS/UFAL)
TÍTULO:

PERCEPÇÕES DE RISCO E ESTRATÉGIAS ADAPTATIVAS ÀS MUDANÇAS AMBIENTAIS NA CADEIA DE VALOR DA AROEIRA (Schinus terebinthifolia Raddi.) NO BAIXO SÃO FRANCISCO, EM ALAGOAS


PALAVRAS-CHAVES:

Mudanças Ambientais. Extravismo. Governança territorial


PÁGINAS: 104
RESUMO:

As mudanças ambientais têm alterado de forma crescente as condições ecológicas, territoriais e produtivas das cadeias de valor da sociobiodiversidade. Em contextos nos quais a subsistência depende diretamente do uso de recursos naturais, essas mudanças extrapolam a dimensão biofísica, reconfigurando os regimes de acesso aos recursos, os arranjos de governança territorial e as estratégias adaptativas desenvolvidas pelas populações locais. Nesse contexto, esta tese analisa como as mudanças ambientais influenciam as percepções de risco, as estratégias adaptativas e as dinâmicas territoriais associadas à cadeia de valor extrativista da aroeira (Schinus terebinthifolia Raddi.) na região da foz do rio São Francisco, Nordeste do Brasil. A pesquisa foi realizada no município de Piaçabuçu, envolvendo 53 extrativistas distribuídos em 14 comunidades. Foram utilizadas entrevistas semiestruturadas, escalas de percepção de risco e análises espaciais das áreas de coleta, articulando informações sobre situação fundiária, formas de acesso aos recursos, inserção em unidades de conservação e práticas de manejo. Os resultados demonstram que as percepções de risco e as estratégias adaptativas são influenciadas por fatores socioeconômicos, produtivos e territoriais. Extrativistas mais experientes e mais dependentes da atividade tendem a atribuir maior gravidade aos riscos associados às mudanças ambientais. Entre os principais fatores de preocupação destacam-se as chuvas excessivas, o aumento da temperatura, a redução da disponibilidade de frutos, a perda de áreas para outros usos da terra e a insegurança quanto ao acesso às áreas de coleta. As estratégias adaptativas identificadas mostraram-se limitadas e fortemente condicionadas por restrições de acesso à informação, à assistência técnica e ao apoio institucional. A tese evidencia ainda que a cadeia extrativista da aroeira se organiza em territórios marcados por heterogeneidade ambiental, fragmentação fundiária e regimes de acesso predominantemente informais. As áreas de coleta distribuem-se entre propriedades privadas, assentamentos e unidades de conservação de uso sustentável, sendo o acesso frequentemente mediado por permissões verbais, relações de confiança e acordos informais. Nesse contexto, a governança territorial condiciona a forma como os riscos são percebidos, interpretados e enfrentados pelos extrativistas. Conclui-se que as mudanças ambientais e as dinâmicas territoriais atuam de forma articulada sobre as cadeias de valor da sociobiodiversidade. Assim, políticas públicas e iniciativas de conservação precisam reconhecer a centralidade dos territórios, dos regimes de acesso e dos conhecimentos locais, incorporando os extrativistas como sujeitos fundamentais na gestão da biodiversidade e na construção de estratégias de adaptação mais justas e efetivas.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2150648 - RAFAEL RICARDO VASCONCELOS DA SILVA
Interno(a) - 3310907 - JAIRO LIZANDRO SCHMITT
Externo(a) à Instituição - MARCELO ALVES RAMOS - UPE
Externo(a) à Instituição - TALINE CRISTINA DA SILVA - UNEAL
Externo(a) à Instituição - WASHINGTON SOARES FERREIRA JUNIOR - UPE
Notícia cadastrada em: 14/05/2026 14:30
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