Evedencias de sobrexplotação das tainhas tropicais, avaliação convencional dos estoques pesqueiros e pelo conhecimento dos pescadores
Peixes tropicais, pesca artesanal, Mugil, tainhas, avaliação de estoques
A pesca de pequena escala (SSF) representa mais de metade da pesca mundial. Os pescadores da SSF podem fornecer informações importantes sobre as características da história de vida das espécies-alvo. Face aos princípios de boa governação, a combinação do conhecimento científico convencional (CSK) com o conhecimento ecológico local (LEK) é fundamental para garantir o sucesso do manejo da SSF e a sustentabilidade dos recursos. Espécies de importância regional são fundamentais para a sustentabilidade socioeconômica desses pescadores, como é o caso dos Mugilidae no Nordeste do Brasil, que são relevantes para a renda e segurança alimentar das famílias. Neste trabalho, utilizamos CSK e LEK para avaliar os estoques das principais espécies tropicais de tainha do Atlântico Sul, verificamos como ambas as informações podem ser utilizadas para fins de conservação e manejo. Para o CSK fizemos coletas mensais de cada espécie durante um ano, registramos desembarques de tainha e modelos baseados em parâmetros de história de vida. Para o LEK entrevistamos 34 pescadores de tainha sobre a bioecologia da espécie e conhecimento da paisagem, verificando a sobreposição de informações. Ambas as fontes de conhecimento indicaram alta pressão pesqueira, identificando duas espécies sobrerexplotadas (Mugil lisa e Mugil rubrioculus) e uma (Mugil curema), no limite de sobreexplotação (RMS). A gestão dessas pescarias de pequena escala pode ser directamente beneficiada pela compreensão das percepções dos pescadores, além do CSK, melhorando a governação das pescas e a eficácia do diálogo entre as partes interessadas para resultados eficazes.