Banca de DEFESA: INAE FARIAS VIEIRA DANTAS

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : INAE FARIAS VIEIRA DANTAS
DATA : 31/03/2026
HORA: 14:00
LOCAL: INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS-PPGS-LINK: https://meet.google.com/wqh-mcnt-ygy
TÍTULO:

EM ÁGUAS TURVAS: CONFLITO AMBIENTAL E DESAFIOS DA PESCA ARTESANAL A PARTIR DO OLHAR DAS MARISQUEIRAS DA BARRA DE SANTO ANTÔNIO (AL).


PALAVRAS-CHAVES:

Conflitos ambientais; Marisqueiras; Agroindústria canavieira; Saúde.


PÁGINAS: 165
RESUMO:

A pesca artesanal é uma atividade tradicional desenvolvida desde antes da colonização. As mulheres pescadoras, também conhecidas como marisqueiras, atuam, sobretudo, na coleta de peixes, mariscos e moluscos, tanto no rio quanto na beira da praia e no chamado mar de dentro, além de serem responsáveis pelo beneficiamento e comercialização do pescado. Esta pesquisa busca compreender as principais dificuldades enfrentadas por essas mulheres na atividade pesqueira e sua posição diante do conflito ambiental presente na região, especialmente aqueles relacionados à Usina Santo Antônio, localizada no entorno do Rio utilizado por elas. A presença da Usina nos arredores do Rio Santo Antônio traz consequências diretas para as marisqueiras, como a contaminação do Rio por resíduos altamente poluentes. Os indícios de conflito com a Usina emergiram a partir de denúncias que culminaram na realização de audiências públicas para discutir a poluição do Rio. Ainda que existam outros agentes poluidores, a Usina é percebida pelas marisqueiras como a principal responsável pelos impactos ambientais. A atuação do setor sucroenergético moldou, assim, a forma e a relação dessas mulheres com o Rio. Ao mesmo tempo, mesmo diante desses conflitos, a empresa se apresenta como pautada em parâmetros de sustentabilidade, utilizando selos e discursos voltados à responsabilidade ambiental. Considerando que os usineiros detêm um poder histórico no estado de Alagoas, as marisqueiras, por vezes, não sabem quais estratégias seriam capazes de alterar essa situação, uma vez que, mesmo frente às denúncias, audiências e promessas, os problemas persistem. Entretanto, o conflito com a Usina não é o único fator que afeta essa atividade. Outros fatores dificultam a vida dessas mulheres, como a falta de materiais adequados para facilitar o trabalho, os impactos decorrentes de longas jornadas e a ausência de atenção à saúde. Soma-se a isso o fato de serem mulheres, condição que impõe dificuldades associadas a uma construção social pautada no patriarcado. Trata-se de uma pesquisa de caráter reflexivo, ancorada em temas como poder, conflitos e injustiças ambientais. O material utilizado para análise é fruto do trabalho de campo realizado a partir de entrevistas com marisqueiras da região entre 2024 e 2025. Os resultados indicam que a atividade das marisqueiras é atravessada por múltiplos fatores de vulnerabilidade, que incluem os impactos ambientais e a precariedade das condições de trabalho, colocando-as, muitas vezes, em uma posição de resignação e de incerteza quanto às possibilidades de enfrentamento desses problemas, o que mostra a complexidade dos conflitos presentes na região.

 


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 3296485 - CAMILA DELLAGNESE PRATES
Externo(a) à Instituição - JOSÉ COLAÇO DIAS NETO - UFF
Interno(a) - ***.974.044-** - LÚCIO VASCONCELLOS DE VERÇOZA - UFAL
Interno(a) - 1582158 - WENDELL FICHER TEIXEIRA ASSIS
Notícia cadastrada em: 20/03/2026 13:52
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