Protesto negro e disputa simbólica: Repertórios imagéticos de ação coletiva na Marcha da Consciência Negra de São Paulo (2011–2022)
Protesto; ação coletiva; movimento negro; relações raciais; visualidades; repertório de ação coletiva
Esta pesquisa investiga como recursos visuais e performativos são mobilizados pelos movimentos sociais na produção de significados, na construção de identidades coletivas e na comunicação pública de suas reivindicações, tomando como objeto empírico central a Marcha da Consciência Negra de São Paulo entre 2011 e 2022. Partindo da constatação de que a dimensão visual e performativa permanece relativamente marginal nos estudos sobre movimentos sociais, a pesquisa articula a Teoria do Confronto Político, especialmente as contribuições de Charles Tilly, à Sociologia Cultural de Jeffrey Alexander, compreendendo os protestos simultaneamente como processos de confronto político e de produção de significados. No plano metodológico, propõe a Análise Visual de Eventos de Protesto (AVEP), concebida como uma ampliação da Análise de Eventos de Protesto (AEP) mediante a incorporação sistemática das imagens como fonte empírica e objeto de análise. A pesquisa fundamenta-se em numa base de dados composta por 315 notícias e 1.324 imagens provenientes de 113 veículos de comunicação, analisadas a partir das categorias, propostas por essa pesquisa, de performances imagéticas e repertórios imagéticos de ação coletiva. Os resultados demonstram que, embora as pautas da Marcha sejam continuamente reconfiguradas em diferentes conjunturas políticas, suas formas de expressão visual organizam-se em repertórios imagéticos relativamente estáveis, continuamente atualizados ao longo do tempo. Esses repertórios evidenciam que a dimensão visual constitui parte dos processos de produção de significados, construção de identidades coletivas e disputa simbólica que estruturam a ação coletiva. Assim, a pesquisa busca contribuir para os estudos sobre o protesto público do movimento negro, para a incorporação da dimensão visual aos estudos de protesto e para a aproximação entre a Teoria do Confronto Político e a Sociologia Cultural, propondo um enquadramento analítico que integra as dimensões estratégica, cultural e visual da ação coletiva.