A historicidade em S. Bernardo: Um estudo sobre a recepção do romance de Graciliano Ramos no nordeste brasileiro (1934-2025)
S. Bernardo; Historicidade em S. Bernardo; Fonte histórica; Recepção de S. Bernardo
Este trabalho tem por objetivo refletir sobre a historicidade no romance S. Bernardo (1934), do escritor alagoano Graciliano Ramos. Pensar a historicidade de uma obra literária é uma atividade complexa, visto a ficcionalidade da obra. No entanto, essa historicidade será procurada a partir de dois movimentos temporalmente sequenciados. O primeiro buscou relacioná-lo ao seu contexto de produção – primeiras décadas republicanas do Brasil, momento que possibilitou a confecção do romance –, através do enfrentamento de informações coletadas no romance e comparadas as contextualizações realizadas por autores e historiadores que estudaram o período. Já o segundo, levou em conta a recepção do livro, especialmente aquela elaborada no contexto das pós-graduações – nível de mestrado e doutorado – das universidades federais e estaduais do nordeste. A pesquisa apresentou portanto um caráter quantitativo-qualitativo visto que além de fazer um levantamento numérico das produções sobre o romance no nordeste, se debruçou também sobre eles a fim de vislumbrar as interpretações produzidas em cada trabalho. Essas teses e dissertações foram catalogadas através dos Repositórios Institucionais das Universidades mencionadas e através do banco de teses e dissertações da CAPES. O objetivo aqui é observar a historicidade do romance no tempo, ou seja, a sua capacidade de tocar em temporalidades posteriores. Contribuíram neste propósito variados autores, em especial, Tenório, Péricles, Forster, Bakhtin, Antonio Candido, Jauss, Iser, Chartier, Durval Muniz, dentre outros. Os resultados a que se chega é que S. Bernardo se caracteriza como uma fonte histórica importante para a construção de uma história de Alagoas e do Brasil cada vez mais abrangente e profunda. Essa importância é reafirmada pelos estudos da recepção, que embora produzidas majoritariamente no âmbito das letras, apontam para diversos aspectos da obra, como as questões econômicas, sociais, psicológicas, linguísticas e de gênero que continuam a fazer parte da realidade brasileira atual.