ESTUDOS IN SILICO, SÍNTESE E AVALIAÇÃO BIOLÓGICA DE NOVOS PEPTIDOMIMÉTICOS CONTRA O
VÍRUS CHIKUNGUNYA
Chikungunya; antivirals; peptidomimetics; nsP2
O vírus Chikungunya (CHIKV) é um Alphavirus da família Togaviridae, transmitido principalmente pela picada
de mosquitos do gênero Aedes sp. infectados. Na fase aguda, a doença causada pelo CHIKV apresenta sintomas típicos de outras arboviroses como febre, mialgia, artralgia, prurido e dor de cabeça. Na fase crônica, um quadro de poliartrite e/ou poliartralgia é apresentado em ~ 60% dos pacientes. Além disso, problemáticas como encefalite, meningoencefalite, síndrome de Guillain-Barré e infecções congênitas também podem ser relatadas. Apesar de seus impactos, ainda não existem medicamentos antivirais aprovados para seu tratamento. Nesse contexto, os peptidomiméticos surgem como uma classe que vêm ganhando destaque frente ao desenvolvimento de medicamentos antivirais, principalmente, quando direcionados a proteases. A nsP2, é uma proteína autoproteolítica (domínio C-terminal) diretamente associada à replicação do vírus, clivando poliproteína P1234 para formar proteínas estruturais e não-estruturais na organização dos novos vírions. Diante disso, esse trabalho planejou novos peptidomiméticos direcionados a esta protease. Para isso, foi considerada a sequência Y↓GGAR, idêntica ao substrato da nsP2, visando maior afinidade desses novos peptidomiméticos ao alvo. Para transformar a afinidade em inibição, esses peptídeos foram modificados na porção N-terminal com moléculas previamente testadas pelo nosso grupo frente ao CHIKV. Foram utilizadas abordagens in silico para prever as interações entre esses novos candidatos e o alvo proposto, esses estudos revelaram interação com os resíduos Cys478, His548 e Trp549, que são essenciais para a atividade enzimática. Além disso, os peptidomiméticos obtidos neste trabalho apresentaram alto grau de pureza e foram caracterizados por RMN de 1H e 13C. Nos ensaios de citotoxicidade in vitro, os compostos demostraram boa tolerabilidade celular, com CC₅₀ > 800 µM. Nos estudos de toxicidade aguda in vivo, a DL₅₀ foi de 200 mg/kg. Os ensaios in vitro realizados para avaliação da atividade antiviral frente ao CHIKV não demonstraram atividade significativa. Entretanto, as características físico-químicas dos compostos, como elevada massa molecular e ionização em pH fisiológico, indicam a necessidade de estudos adicionais, incluindo ensaios na protease nsP2, bem como a avaliação de estratégias de tecnologia farmacêutica para viabilização desses compostos.