Produção, caracterização e aplicações biotecnológicas de endoglucanase e protease obtidas de fungo filamentoso isolado da Caatinga
Enzimas hidrolases; Fermentação em estado sólido; Aplicações biotecnológicas; Coagulação do leite; Sacarificação.
O Semiárido brasileiro, predominado pelo bioma Caatinga, apresenta grande biodiversidade, incluindo fungos
filamentosos, que possuem uma ampla aplicação biotecnológica, principalmente na produção de enzimas utilizadas em diversas indústrias. Para a produção de enzimas, a fermentação em estado sólido (FES) consiste em um processo bastante utilizado, tendo em vista o menor custo e o emprego de substratos alternativos, incluindo resíduos agroindustriais. Dentre as enzimas fúngicas obtidas pela FES, destacam-se as celulases, especialmente a endoglucanase, e as proteases. As endoglucanases desempenham um papel crucial na conversão da celulose em glicose, sendo empregadas na obtenção de etanol de segunda geração a partir da biomassa lignocelulósica. As proteases microbianas, por sua vez, encontram aplicações em diversos setores industriais e representam aproximadamente 60% de todas as enzimas comercializadas. Dentre essas aplicações, destaca-se seu uso na coagulação do leite para a produção de queijos. Dessa forma, esta pesquisa tem como objetivo avaliar a produção, caracterização bioquímica e aplicação biotecnológica de proteases e endoglucanases obtidas por FES utilizando um fungo filamentoso isolado da Caatinga. Para tanto, o fungo foi submetido à FES utilizando resíduos agroindustriais como substrato. Após a obtenção do extrato enzimático bruto contendo as proteases e endoglucanases produzidas, foram conduzidas suas caracterizações bioquímicas e avaliações em aplicações biotecnológicas distintas: a protease foi aplicada na coagulação do leite, enquanto a endoglucanase foi empregada no processo de sacarificação para produção de açúcares fermentáveis. A atividade máxima da endoglucanase foi alcançada após 120h de FES utilizando o farelo de trigo. A endoglucanase demonstrou propriedades acidófilas, termoestáveis e halotolerantes, bem como. eficiência na etapa de sacarificação de resíduos lignocelulósicos, exibindo uma maior produção de açúcares redutores quando o farelo de trigo foi empregado como substrato. A protease foi produzida nas mesmas condições de FES utilizadas para endoglucanase. Essa enzima foi capaz de coagular tanto o leite desnatado reconstituído como o leite integral pasteurizado, com e sem adição de cálcio. Portanto, os resultados obtidos indicam o potencial dessas enzimas para aplicações biotecnológicas, bem como contribuem para o desenvolvimento de bioprocessos enzimáticos mais sustentáveis.