COMPOSTOS NATURAIS DO SEMIÁRIDO BRASILEIRO: POTENCIAL IMUNOMODULADOR E ANTITUMORAL EM MODELO 3D DE CÂNCER DE MAMA
Câncer de mama, Linfócitos T, Agreste, Lupeol, Ácido anacárdico.
A imunomodulação tem se consolidado como uma abordagem promissora no tratamento do câncer de mama, sobretudo quando investigada em modelos experimentais que mimetizam de forma mais fiel o microambiente tumoral. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo avaliar os efeitos imunomoduladores do lupeol e do ácido anacárdico sobre linfócitos T humanos e sua interação com esferoides tumorais da linhagem MCF-7 em um sistema de cocultura tridimensional. Foram utilizados linfócitos T provenientes de voluntárias saudáveis e de paciente com câncer de mama em cuidados paliativos. Realizou-se a padronização das concentrações do ácido anacárdico e lupeol, por meio de ensaios de viabilidade celular (MTT) e morte celular por anexina V. Esferóides tumorais foram formados e caracterizados quanto à organização estrutural, zonas proliferativas e integridade celular, confirmando a heterogeneidade funcional típica de modelos tridimensionais. Inicialmente, foram estabelecidas coculturas entre linfócitos T de voluntária saudável e esferóides tumorais. Nessas condições, análises por microscopia confocal, com marcação dos linfócitos por CFSE, evidenciaram a infiltração dessas células no interior dos esferóides. Em experimentos subsequentes, foram utilizadas células de paciente, e a cocultura foi acompanhada morfometricamente por até 120 horas. Nessa condição, não foram observadas alterações significativas nos parâmetros estruturais dos esferóides, sendo possível manter a mensuração de suas dimensões ao longo de todo o período experimental em amostra de voluntário ou paciente. Por outro lado, quando a cocultura foi realizada na presença de interleucina-2, observou-se a partir de 72 horas, um recobrimento progressivo dos esferóides por linfócitos, dificultando a delimitação precisa dessas estruturas. Em conjunto, os achados demonstram que o modelo tridimensional de cocultura é adequado para o estudo das interações iniciais entre linfócitos T e células tumorais, permitindo a investigação de efeitos imunomoduladores. Além disso, os resultados ressaltam a importância da combinação de análises morfológicas e funcionais para a compreensão da dinâmica temporal da resposta imune tumoral, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas complementares no câncer de mama.