Variáveis fisiológicas no consórcio mandioca-amendoim em diferentes arranjos espaciais
Consorciação de culturas; ecofisiologia vegetal; amendoim; trocas gasosas; arranjo espacial
A mandioca (Manihot esculenta Crantz) é uma cultura caracterizada de longa temporada e espaçamento amplo, o estágio inicial de crescimento e desenvolvimento é lento e, portanto, permite o cultivo em consórcio com culturas de curta duração, como as leguminosas, em um arranjo espacial de culturas bem definido e densidade ótima que permitirá o uso eficiente dos fatores de crescimento da planta. Além disso, o cultivo em sistema consorciado de mandioca de mesa com amendoim (Arachis hypogaea L.) em um arranjo espacial modificado pode permitir o uso eficaz de fatores de crescimento para uma produção de alimentos mais qualificada, melhor aproveitamento do solo, e mitigação das mudanças climáticas. Diante do exposto, este estudo teve como objetivo avaliar os aspectos ecofisiológicos da mandioca de mesa e do amendoim , associados às variáveis meteorológicas, em sistema de cultivo consorciado sob diferentes arranjos espaciais, bem como comparar seu desempenho com o de cultivos solteiros nas condições do Agreste Alagoano. O experimento foi conduzido em campo, em delineamento de blocos casualizados, com sete tratamentos e quatro repetições, incluindo sistemas solteiros e consorciados. Foram realizadas avaliações fisiológicas ao longo do ciclo, de 30 a 270 dias após o plantio, além da análise de variáveis meteorológicas e produtivas. Os resultados evidenciaram que a assimilação de CO₂ da mandioca apresentou redução de aproximadamente 45 a 50% ao longo do ciclo, passando de valores próximos a 17 para cerca de 9 µmol CO₂ m⁻² s⁻¹. A condutância estomática e a transpiração apresentaram comportamento quadrático, com reduções iniciais de cerca de 50% e posterior recuperação nas fases finais. A eficiência do uso da água (EUA) também diminuiu cerca de 50%, indicando menor eficiência fisiológica sob condições de maior demanda ambiental. Paralelamente, a temperatura foliar aumentou aproximadamente 3 a 4 °C ao longo do ciclo, enquanto a eficiência de carboxilação foi reduzida em torno de 50%. O consórcio mandioca com amendoim não se configura como intrinsecamente limitante, porém impõe restrições ecofisiológicas dependentes do arranjo espacial, sendo a mandioca mais tolerante às interações interespecíficas, enquanto o amendoim apresenta maior sensibilidade e a competição por recursos, o que reforça a necessidade de ajuste do sistema para maximizar sua eficiência produtiva.