ECONOMIA DA POBREZA: UM ESTUDO SOBRE A TERRITORIALIZAÇÃO DA POBREZA NO ESTADO DE ALAGOAS
Alagoas; Pobreza; Território; Territorialização.
Ao longo da história humana, a pobreza tem sido compreendida a partir de diferentes abordagens teóricas, destacando-se, no debate contemporâneo, as perspectivas unidimensional e multidimensional. Enquanto a primeira a define através da ótica monetária, centrada na insuficiência de renda, a segunda aprofunda essa compreensão ao incorporar dimensões econômica, social, política e cultural a sua conceitualização. Desse modo, parte-se do pressuposto de que a pobreza deve ser analisada sob a perspectiva multidimensional, que define o sujeito pobre enquanto indivíduo desprovido de renda, privado do acesso adequado aos serviços e bens públicos e que possui dificuldade em externalizar suas liberdades individuais. Sob esse enfoque, a categoria geográfica “território”, ganha ênfase nos debates pertinentes à temática da pobreza ao enfatizar o seu caráter policêntrico. Nesse sentido, esta pesquisa objetiva compreender o processo de territorialização da pobreza multidimensional no estado de Alagoas, alicerçado nas desigualdades socioeconômicas e intraterritoriais incidentes nesse território. O estudo busca analisar a formação histórico-econômica alagoana e, a partir disso, identificar os elementos que condicionam a (re)produção, manutenção e permanência da pobreza em sua conjuntura socioterritorial, que se dá de forma heterogênea entre as territorialidades e municípios do estado. Em termos metodológicos, adota-se o método hipotético-dedutivo e abordagem qualiquantitativa, de modo a integrar a discussão teórica com a análise de dados secundários provenientes dos censos demográficos. Destarte, no que concerne à mensuração da pobreza multidimensional, serão utilizados indicadores socioeconômicos de renda, educação, habitação e saúde, além do Índice de Pobreza Multidimensional (IPM) e o Índice de Progresso Social (IPS) referentes aos anos de 2000, 2010 e 2022. Ademais, a análise será conduzida através de um viés extraterritorial, comparando Alagoas as demais unidades federativas da região Nordeste e, intraterritorial para evidenciar as disparidades socioeconômicas existentes no interior do território alagoano, bem como os diferentes níveis de territorialização da pobreza entre os 102 municípios e nas Regiões Geográficas Intermediárias de Maceió e Arapiraca (territorialidades) que compõem o estado. Assim, espera-se evidenciar que a pobreza em Alagoas apresenta caráter histórico e territorialmente desigual, manifestando-se em diferentes níveis em seu território. Espera-se, ainda, demonstrar que sua permanência está vinculada à formação socioeconômica do estado e aos mecanismos estruturais que sustentam sua reprodução.