Banca de DEFESA: ELISVÂNIA LOPES GARCIA NASCIMENTO

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ELISVÂNIA LOPES GARCIA NASCIMENTO
DATA : 28/07/2026
HORA: 19:00
LOCAL: Híbrido (Sala de Apoio ICS e Meet)
TÍTULO:

MOBILIDADES, TRABALHO E RESISTÊNCIAS FEMININAS NOS QUILOMBOS NO TERRITÓRIO DO TAMANDUÁ


PALAVRAS-CHAVES:

Mobilidade laboral quilombola; Trabalho escravo contemporâneo; Mulheres quilombolas; Alagoas.


PÁGINAS: 124
RESUMO:

Esta dissertação analisa os impactos da mobilidade laboral
quilombola e suas relações com o trabalho escravo
contemporâneo nos quilombos Baixio e Alto do Tamanduá,
localizados no sertão alagoano nos municípios de Santana do
Ipanema e Poço das Trincheiras. A pesquisa parte das
narrativas de vivências de mulheres quilombolas que
permanecem no território enquanto seus companheiros, filhos e
parentes migram sazonalmente para trabalhar em colheitas
agrícolas em diferentes regiões do Brasil. A partir dessas
experiências, analiso os impactos cotidianos e as estratégias de
organização provocadas pelas mobilidades laborais. De caráter
etnográfico, o estudo foi construído por meio da observação
participante, rodas de conversa, relatos de vida e das ações
desenvolvidas no âmbito da Fiscalização Preventiva Integrada
da Bacia do Rio São Francisco (FPI) e do Projeto Òmnira
Liberdade de Combate ao Trabalho Escravo Contemporâneo.
Nesse percurso, emergiu a categoria “viúvas de maridos vivos”,
utilizada pelas próprias mulheres para expressar os efeitos das
ausências prolongadas provocadas pelas migrações sazonais.
A pesquisa evidencia que a mobilidade laboral dos
trabalhadores quilombolas do território Tamanduá constitui uma
estratégia histórica de sobrevivência diante das limitações de
acesso à terra e da escassez de oportunidades de trabalho no
sertão alagoano. Esse processo repercute diretamente na
organização familiar e comunitária, fazendo emergir a realidade
das "viúvas de maridos vivos", categoria que expressa a 

condição das mulheres que permanecem no território
assumindo, sozinhas, o cuidado da família, das roças
quilombolas, a gestão dos quintais produtivos e a participação
nas atividades comunitárias durante a ausência prolongada dos
companheiros. Paralelamente, os relatos revelam que esses
deslocamentos inserem muitos trabalhadores em contextos de
precarização e vulnerabilidade, por vezes compatíveis com o
trabalho escravo contemporâneo, evidenciando a necessidade
de políticas públicas que fortaleçam os territórios quilombolas e
garantam condições dignas de permanência e reprodução
social das famílias.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 3947093 - JORDANIA DE ARAUJO SOUZA GAUDENCIO
Externo(a) à Instituição - MAURICÉA MARIA DE SANTANA
Interno(a) - 1121331 - SILVIA AGUIAR CARNEIRO MARTINS
Notícia cadastrada em: 07/07/2026 15:17
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