ENTRE O SER COMPETITIVO E O SER ARTÍSTICO: EXPERIMENTAÇÕES AUTOETNOGRAFICAS DE UM B.BOY
Hip Hop; Breaking; Autoetnografia; Profissionalização; Juventude.
A pesquisa investiga as trajetórias e processos de profissionalização de jovens B.boys e B.girls por meio de uma abordagem autoetnográfica e entrevistas compreensivas que buscam reconhecer o corpo como arquivo sensível e produtor de conhecimento. Parte-se da compreensão do Hip Hop como movimento cultural, epistemológico e político, cuja força formativa emerge das práticas de resistência, criação e reorganização comunitária. Metodologicamente, a investigação articula a tríade: ver, ouvir e escrever proposta por Roberto Cardoso de Oliveira entendendo que o trabalho de campo, quando atravessado pelo corpo que dança, exige uma presença implicada e reflexiva. Inspirado pela crítica de Bourdieu à “ilusão biográfica”, a pesquisa reconhece que a trajetória no Breaking é marcada por rupturas, disputas e descontinuidades que estruturam a experiência juvenil nas periferias. A profissionalização no Breaking é analisada à luz das tensões discutidas por Simões especialmente no que se refere à negociação entre criatividade, mercado e ideologias de autenticidade. Por fim, a pesquisa mobiliza outros pensamentos e tem como hipótese que a prática do Breaking mesmo em meio aos caminhos a qual os jovens possam trilhar profissionalmente funciona como modo de reexistência, produção de saber e re-criação comunitária que atualiza memórias e territorialidades periféricas.