FEIRA DE CIÊNCIAS DO ESTADO DE ALAGOAS (FECEAL) À LUZ DA NATUREZA DA BIOLOGIA ESCOLAR
Feira de Ciências; Ensino de Biologia; Natureza da Biologia; Alfabetização Biológica; Pedagogia de Projetos.
Esta dissertação teve como objetivo investigar quais são as possibilidades e os limites da
realização de uma Feira de Ciências voltada para o ensino de Biologia na promoção da
Natureza da Biologia no Ensino Médio. Parte-se do pressuposto de que, embora as Feiras
de Ciências sejam amplamente utilizadas como estratégia pedagógica, ainda há desafios
relacionados à forma como a Biologia é compreendida e apresentada nesses espaços,
muitas vezes marcada por abordagens descritivas e pouco investigativas. A pesquisa
caracteriza-se como qualitativa, de natureza descritivo-analítica, e utilizou a Análise de
Conteúdo proposta por Bardin (2016) para examinar dados provenientes de entrevistas
com organizadores da Feira de Ciências do Estado de Alagoas (FECEAL), professores
participantes e um professor regente que aplicou o Produto Técnico Educacional (PTE),
intitulado Guia de Feira de Ciências: Explorando a Biologia por Meio de Projetos. Os
resultados evidenciam que as Feiras de Ciências, quando fundamentadas na Pedagogia de
Projetos, configuram-se como espaços relevantes para a promoção da investigação, do
protagonismo docente e da construção do conhecimento científico. Nesse contexto,
favorecem a problematização, a articulação entre teoria e prática e o desenvolvimento de
competências relacionadas à Alfabetização Científica e Biológica. No entanto, também
foram identificados limites associados à permanência de concepções tradicionais de
ciência, caracterizadas pela linearidade metodológica e pela ênfase em experimentos
demonstrativos, o que pode restringir a compreensão da Biologia em sua complexidade.
A aplicação do guia revelou-se um instrumento importante para orientar práticas mais
investigativas, contribuindo para a valorização das especificidades epistemológicas da
Biologia, como seu caráter histórico, sistêmico e contextual. Conclui-se que as Feiras de
Ciências, quando planejadas com intencionalidade pedagógica e articuladas à Natureza
da Biologia, podem constituir-se como espaços formativos significativos, embora ainda
demandem ressignificações no contexto escolar.