ESTUDO DA ATIVIDADE ANTIVIRAL DE CONSTITUINTES DA PRÓPOLIS VERMELHA BRASILEIRA CONTRA O VÍRUS CHIKUNGUNYA IN VITRO
Vírus Chikungunya, atividade antiviral, própolis vermelha brasileira.
Arboviroses são infecções causadas por vírus transmitidos por vetores artrópodes e são tipicamente caracterizadas por doença febril aguda. Entre os vários arbovírus, aqueles transmitidos por mosquitos do gênero Aedes sp. são particularmente significativos, especialmente as infecções causadas pelo vírus Chikungunya (CHIKV). Nos últimos anos, surtos desse arbovírus têm sido registrados, tendo como principal manifestação clínica a poliartralgia persistente, que pode durar meses ou até anos. Atualmente, não há tratamentos antivirais licenciados disponíveis para essa infecção. Nesse contexto, o presente estudo avaliou a atividade antiviral de 12 constituintes da própolis vermelha brasileira (BRP) (biochanina A, ácido p-cumárico, pinocembrina, catequina, formononetina, cumarina, ácido cafeico, isoliquiritigenina, ácido ferúlico, ácido 2-cumárico, daidzeína e crisina) contra o CHIKV in vitro. Inicialmente, ensaios de citotoxicidade e triagem antiviral foram realizados por meio do ensaio de viabilidade celular MTT com cada composto individualmente na concentração de 50 μM. Os compostos promissores identificados foram testados em diferentes concentrações (3,12 a 400 μM) para determinar os valores de concentração máxima não tóxica (CMNT), CC₅₀, CE₅₀ e índice de seletividade (IS). Para os compostos com maior IS, a porcentagem de células positivas para CHIKV foi determinada por citometria de fluxo intracelular, e os sobrenadantes celulares foram coletados para quantificação absoluta do RNA viral por RT-qPCR. Além disso, foi realizado um ensaio de tempo de adição para avaliar a atividade antiviral em diferentes etapas do ciclo replicativo viral. Paralelamente, análises in silico de docking molecular, dinâmica molecular e predição das propriedades farmacocinéticas e toxicológicas foram conduzidas para identificar potenciais alvos moleculares e caracterizar o perfil farmacológico dos compostos. Dos 12 constituintes avaliados, seis demonstraram atividade antiviral na triagem inicial (biochanina A, pinocembrina, catequina, formononetina, isoliquiritigenina e crisina). Entre eles, a isoliquiritigenina (IS = 4,87) e a catequina (IS = 18,31) destacaram-se por apresentarem elevados índices de seletividade e redução significativa da porcentagem de células infectadas. Na quantificação da carga viral, o grupo controle infectado apresentou 3,2 × 10⁶ cópias/μL de RNA viral (vRNA), enquanto a isoliquiritigenina reduziu esse número para 9,4 × 10⁴ cópias/μL e a catequina para 4 × 10⁴ cópias/μL. No ensaio de tempo de adição, ambos os compostos não apresentaram atividade significativa antes ou durante a adsorção viral, porém demonstraram efeito antiviral quando adicionados até 8 horas após a infecção, sugerindo atuação em etapas pós-entrada do ciclo replicativo. As análises de docking molecular indicaram a proteína não estrutural nsP3 como alvo putativo de interação para ambos os compostos promissores. As simulações de dinâmica molecular in silico demonstraram elevada estabilidade conformacional dos complexos proteína-ligante. As predições farmacocinéticas e toxicológicas revelaram que ambos os compostos apresentam propriedades compatíveis com candidatos promissores ao desenvolvimento de fármacos. Em conjunto, os resultados in vitro e in silico demonstraram que a catequina e a isoliquiritigenina constituem candidatos promissores para o desenvolvimento de novos agentes antivirais contra o CHIKV.